Artigos

Personagens de Destaque: Década de 60

 

Rubens Coelho

Rubens Coelho começou a trabalhar como Corretor de Imóveis em 1948 (Creci nº 15), foi conselheiro do Creci/SP por trinta anos, sendo um de seus fundadores, e foi reeleito em quase todas as gestões. Também por vários anos foi representante de São Paulo no Conselho Federal de Corretores de Imóveis, tendo sido presidente por ocasião da vacância de Luiz Mihrra. Foi membro da Câmara de Valores Imobiliários por mais de 26 anos.

Como profissional da corretagem, teve presença marcante entre as décadas de 50 a 80. Santista, mudou-se para São Paulo com esperança de, na capital, ser bem sucedido profissionalmente. Com vocação natural para vendedor, fez os primeiros contatos com o mercado imobiliário em 1948, por intermédio de um primo, chefe de vendas no departamento de residências do Banco Nacional Imobiliário. Nesta instituição, Rubens Coelho sobressaiu-se como um dos homens de maior produção no segmento imobiliário.

Rubens Coelho, Luiz A. Caldas de Oliveira e Arnaldo Prieto

Rubens Coelho, Luiz A. Caldas de Oliveira e Arnaldo Prieto

Ele destacou o perfil do mercado imobiliário em 1945 (após o fim da Segunda Guerra Mundial), parado pela falta de financiamento. "Houve um expressivo crescimento populacional, gerando escassez de moradia. O engenheiro Cipriano Marques Filho criou um plano para a aquisição da casa própria Condomínio pelo Preço de Custo, lançado em 1947 e um grande sucesso. Os interessados pagavam um ágio sobre o aluguel, e o fundo resultante era utilizado para este condomínio. Eram feitos dois contratos: um da cota ideal e outro do apartamento. O prazo para pagamento era de 36 meses (tempo para sua construção e entrega). Vários edifícios foram lançados e construídos com este sistema, com um detalhe: ao final do prazo, na entrega das chaves, os compradores receberam um troco por excesso de pagamento. Como resultado, houve uma procura fantástica por este sistema", conta Rubens Coelho.

Rubens Coelho

Rubens Coelho

Rubens Coelho lançou mais de duzentos edifícios na cidade de São Paulo. Mas, sem dúvida, é o edifício Itália, um dos "cartões-postais" da cidade, ao lado do Copan, com 1143 apartamentos, cinema, lojas e garagem. Todo este empreendimento foi vendido pela empresa de Rubens Coelho em menos de um mês. Um recorde difícil de ser igualado por qualquer outro Corretor de Imóveis.

Décadas de ouro na profissão

Os anos 50, 60 e 70 deixaram grandes saudades em Rubens Coelho, principalmente da relação de amizade e respeito entre o Corretor e seu cliente. "A imagem do profissional na sociedade era excelente. Éramos vistos como consultores da família, que, por seu desempenho e confiança, acaba sendo recomendado para os amigos, parentes e vizinhos. Após a década de 80, as relações entre os Corretores e clientes, em um mercado muito competitivo, onde a opção de venda deixou de ser a regra, mudou bastante", lamenta.

O sindicato era muito rigoroso na admissão de seus filiados. O Corretor precisava ter uma boa reputação no mercado. Eram dadas aulas sobre o código de ética no sindicato (convênio do SCIESP com o Sesc/Senac), e Rubens Coelho foi um dos professores desta disciplina, representando o sindicato. As aulas eram sobre compostura, ética, conceitos morais, crescimento do mercado, entre outros.

Segundo ele, os primeiros corretores tinham empresas pequenas (1920-30). Era a belle époque, e nos cafés havia lugares para as pessoas se sentarem para ler o jornal do dia e ficar à vontade. Os Corretores se reuniam na esquina da rua São Bento com a Álvares Penteado, onde preparavam seus anúncios e trocavam ofertas entre si.

"Em 1948 São Paulo tinha 1,2 milhão de moradias; hoje este número é dez vezes maior. O trabalho do Corretor nesse crescimento foi muito importante. Tinha como manual de trabalho o código de ética da categoria e seguia os regulamentos do sindicato, como o contrato de autorização de venda (Opção de Venda). Outro ponto importante era o exame minucioso de toda a documentação do imóvel (títulos de propriedade)". Este tipo de comportamento, segundo Coelho, é que até hoje faz a diferença entre os bons Corretores.

Na comercialização de imóveis e Marketing de vendas, Rubens Coelho introduziu a estratégia de divulgar anúncio do imóvel com a fotografia, colocando no domingo seguinte o mesmo anúncio com carimbo de vendido para divulgar sua venda. Em 1954 fundou a Renascença Imóveis e em 1958 a Rubens Coelho Imóveis. Foram efetuadas por ele a venda das sedes do Banco Nacional da Habitação (situado na praça Roosevelt), da Justiça do Trabalho, de inúmeras empresas multinacionais, bancos e diversos loteamentos, e cerca de trezentos edifícios de condomínios, inclusive o Edifício Itália.

Em 1957 começou a trabalhar no sindicato, sem nenhum cargo na diretoria. Em uma reunião houve um "levante" contra o presidente Antônio Macuco Alves. Ele se levantou e fez um discurso defendendo a diretoria, revelando-se um excelente orador. Sua atuação foi muito importante na conquista pela regulamentação da profissão em 1962. "Foram doze anos de peregrinação para a aprovação da lei. A participação de Ulysses Guimarães foi fundamental em todo este processo", afirma Coelho.
Pela sua dedicação ao movimento de classe, Rubens Coelho ostenta as maiores honrarias concedidas a um Corretor de Imóveis, o título COLIBRI DE OURO, a mais alta condecoração outorgada para apenas dezesseis profissionais em todo o Brasil. Além deste título, mantém a Ordem do Mérito Profissional, emitida pelo STF, em Brasília.

Antônio Benedicto Gomes Carneiro

Antônio Benedito Gomes Carneiro é Corretor desde 1947. "Vim do interior com um anúncio do Estadão. Na manhã seguinte, estava sendo entrevistado pelo diretor da imobiliária A Jurídica, Carlos Gomes Monteiro. Recém-admitido, de acordo com as instruções, lá estava eu, com um punhado de recortes de jornais procurando os proprietários de imóveis que anunciavam, tentando obter a Opção de Venda, com o argumento de que éramos profissionais competentes, além de sócios da Câmara de Valores Imobiliários, onde contávamos com mais de 25 escritórios de imóveis", conta. Naquela época era relativamente fácil obter a autorização.

Antônio Benedicto Gomes Carneiro

Antônio Benedicto Gomes Carneiro

Em 1951, fundou, em companhia de Paulo Joaquim Monteiro da Silva e Wilson Mathias, a Imobiliária e Construtora Monteiro da Silva, com sede à rua Senador Feijó, 115. "Para obtermos os descontos do Estadão era necessária a sindicalização. Sem mais delongas e contratempos, obtivemos em 25 de maio de 1951, o direito e a obrigação de, em todos os nossos anúncios, colocarmos no rodapé a frase: filiado ao Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo - por extenso. Nossa matrícula: 587", lembra Carneiro.

Esta proximidade com o sindicato resultou em um convite de Elpídio Eugênio Mônaco para ingressar na Câmara de Valores Imobiliários. Paralelamente à CVI, iniciou suas atividades no SCIESP, onde tomou conhecimento da vida classista. Entretanto, na época era muito difícil ser admitido no sindicato. "A seleção muito rigorosa, sendo necessário a apresentação de títulos de honorabilidade, honestidade, certidões negativas de protesto e criminais. Fazia-se uma sindicância para a admissão (triagem dos candidatos). Antes da Lei nº 6.530 o processo de seleção era feito pelo sindicato. O processo ia para o Creci, que fazia uma publicação com o nome do Corretor por trinta dias. Só assim a inscrição era confirmada", explica.

"Na Câmara de Valores Imobiliários (CVI) - presidente Nelson Mendes Caldeira, os negócios imobiliários eram realizados por um tipo de 'pregão'. Todos os Corretores se reuniam e faziam a troca dos imóveis. Aquele que tinha um cliente interessado em um determinado tipo de residência fazia contato com outro Corretor que tinha um imóvel que correspondesse ao procurado. Além do 'casamento de interesses' , nesse pregão também eram realizadas avaliações de imóveis do governo (fins oficiais). A primeira chamada era às nove horas. Com o número suficiente de Corretores presentes, dava-se início à pauta do dia", recorda-se.


Ministro Arnaldo Prieto recebe a carteira de Corretor de Imóveis   das mãos do presidente do Creci: Antônio Gomes Carneiro

Ministro Arnaldo Prieto recebe a carteira de Corretor de Imóveis das mãos do presidente do Creci: Antônio Gomes Carneiro

O grande objetivo da categoria era o reconhecimento legal da profissão. Antônio Benedicto Gomes Carneiro participou da primeira eleição do Creci como presidente de mesa. Segundo ele, na época, a Lei nº 4.116 estabelecia que só poderia ser criado um Creci nos Estados onde houvesse um sindicato, e metade dos diretores e conselheiros do Creci deveriam ser do sindicato. O Creci/SP foi fundado em uma reunião da CVI (às quintas-feiras). A diretoria do Creci era composta por 28 Conselheiros (catorze diretores do sindicato e catorze eleitos em assembléia). Seu número do Creci é 30, pois os 28 primeiros números foram dados à diretoria eleita, e ele preferiu o nº 30 ao 29.

Nesta carta falava da entrada em vigor da Lei nº 4.116 e da legalização da profissão, trazendo maior número de exigências para os Corretores que se registrassem depois da sua publicação. A carta foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo durante trinta dias. Mais de 4 a 5 mil inadimplentes legalizaram sua situação, e outros 5 mil procuraram o Creci. "Orgulho-me da profissão que abracei em 1947 e agradeço por ter tido a oportunidade de ajudar, na medida de minhas forças e possibilidades, a minha categoria profissional", completa.

Nos anos de 1966 e 1967, especializou-se em financiamento, sendo expert no que se relacionasse ao BNH. Seu escritório realizava os financiamentos em conjunto com a CEF, já que a pré-avaliação do imóvel e seu encaminhamento com a documentação correta levava, por seu intermédio, oito dias. No mercado o prazo era de noventa dias. Esta diferença transformou seu escritório em campeão de vendas.

Carneiro participou da comissão de sindicância do sindicato (antes da fundação do Creci), entre 1964 e 1966, fundou a Comissão de Estudos do sindicato e no período de 1977 a 1979, ajudou a elaborar o curriculum básico do curso de Técnico de Transações Imobiliárias. Em 1996 recebeu o título Colibri de Ouro.

Ivenaldo Carvalho e Hermogenes Paulino do Bomfim

Ivenaldo Carvalho nasceu em 18/12/1931 e iniciou na profissão, aos 22 anos, em 1953; época em que os moradores de João Pessoa, cidade que nasceu à beira do rio Paraíba, (neste ponto o rio dista nove quilômetros do mar de Tambaú), começavam a investir, de forma mais significativa, em imóveis à beira-mar (no início para veraneio, mas a partir da década de 60 para moradia). Ivenaldo foi o corretor responsável pela venda quase total do loteamento que veio a transformar-se no que hoje é um dos bairros mais importantes da cidade: Manaíra - em Tambaú.

Hermogenes P. do Bonfim

Hermogenes P. do Bonfim

Em 1964, vinculado a uma empresa com sede em Recife, Ivenaldo foi convidado a se credenciar ao Creci 7ª Região - PE, que na época tinha sob a sua jurisdição os Estados de Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Ivenaldo foi o corretor nº 503 da 7ª Região e começou a participar das reuniões da instituição e a incentivar os Corretores locais ao credenciamento. Um dos que aceitaram o convite foi Hermogenes Bomfim que, a partir daí, como uma pessoa de notória força empreendedora e líder classista nato, lutou com Ivenaldo pela institutcionalização da categoria na Paraíba. No dia 17 de maio de 1971, filiou-se ao Creci de Pernambuco com o registro n.º 625.

Ivenaldo, Bomfim, João dos Santos Barros e Fernando Polari Souto, assinaram, em 22 de janeiro de 1972, a ata da reunião que indicou Ivenaldo como o primeiro delegado do Creci 7ª Região na Paraíba. A solenidade de fundação da delegacia da Paraíba e da posse de Ivenaldo se deu em 19 de março de 1972 no recém-inaugurado Hotel Tambaú. Ivenaldo foi delegado na Paraíba até 1978, quando, para substituí-lo , foi indicado por José Luiz Cavalcanti - presidente do Creci 7ª Região - Hermogenes Paulino do Bomfim.

Bomfim nasceu em 09/04/1934. Comerciante, em 1962 descobriu sua vocação de Corretor de Imóveis e procurou o auxílio dos amigos Ivenaldo Carvalho e Orlando Feitosa, iniciando-se na profissão em 1963 fundou a Organização Bomfim, primeira empresa imobiliária da Paraíba e, até hoje, uma das mais sólidas e tradicionais do setor no Estado. Bomfim começou a se destacar como empresário e líder classista, e a sua figura exponencial tem servido como referência para toda a sua classe profissional.

Hermogenes Bomfim foi o primeiro presidente do Creci 21ª Região quando, em 27 de abril de 1979, delegado que era, foi, por força da Resolução Cofeci nº 034/79, empossado como o primeiro presidente do Creci/PB. Ivenaldo Carvalho, incansável, continuava na luta e foi empossado vice-presidente. No mesmo ano, por intermédio da Resolução nº 069/79 foi criada a delegacia do Creci em Campina Grande, segunda cidade do Estado.

Enquanto a profissão de Corretor de Imóveis ganhava espaço e reconhecimento da sociedade, Bomfim e Ivenaldo, capitaneando essas mudanças qualitativas, se revezaram na presidência e vice-presidência do conselho, sempre eleitos diretamente. Em 1982, Bomfim foi reconduzido à presidência por eleição direta; em 1985, Ivenaldo foi eleito presidente do Creci e reeleito em 1988; em 1991, Bomfim voltou a presidência do Creci e foi reeleito em 1994 e, recentemente, em 1997.

Juntos, com apoio de colegas como Newton de Novais Feitosa e Amiraldo Baunilha Dias, fundaram a Câmara de Valores Imobiliários da Paraíba, em 27 de agosto de 1974 (hoje com sede própria) e o Sindicato dos Corretores de Imóveis da Paraíba - Sindimóveis, em 21 de agosto de 1980.
No dia 15 de dezembro de 1995, Bomfim e Ivenaldo reuniram em João Pessoa representantes dos Corretores de Imóveis de todos os Estados brasileiros, entre eles o presidente do Cofeci, Waldyr Luciano, e toda a diretoria da instituição, além dos Corretores paraibanos, para inaugurarem a sede própria do Creci 21ª Região. Esse dia marcou também a entrega da comenda Colibrí de Ouro ao Corretor de Creci n.º 1, Ivenaldo da Silva de Figueirêdo Carvalho, que ficou muito honrado. Para tristeza de todos, o guerreiro Ivenaldo faleceu um mês após a homenagem.

Quando recebeu o Colibri de Ouro, Ivenaldo já havia sido, juntamente com Hermogenes Bomfim, agraciado com a comenda Colibri de Prata em 1993. Os dois foram homenageados pelos colegas do Cofeci, como prova de reconhecimento pelo brilhante trabalho profissional e dedicação à classe. Sem o companheiro Ivenaldo, Bomfim continuou o seu trabalho no Creci, tendo como vice-presidente Antonio d'Ávila Lins Filho. Na sua opinião, toda sua dedicação bem como a dos companheiros citados neste texto e de muitos outros que não o foram , mas que também tiveram fundamental importância nesta trajetória, está sendo coroada, hoje, com a crescente dignificação da profissão. "A cada dia é maior o respeito e o reconhecimento da sociedade em relação aos Corretores. Por sua vez, os Corretores de Imóveis, em sua grande maioria, compreendem a necessidade de reciclagem constante e da postura ética e profissional", diz. Para o presidente, este sintoma mostra o quanto estes profissionais vão conquistar no futuro.

Elpídio Eugênio Mônaco

Nas décadas de 60 e 70, merece destaque a atuação do paulista Elpídeo Eugênio Mônaco (Creci n.º 4), que foi o segundo presidente do Creci 2ª Região, com importante participação na presidência da Câmara de Valores Imobiliários de São Paulo - CVI, onde foi admitido em 1942. "A CVI foi criada para a troca de imóveis e para o esclarecimento de dúvidas quanto à avaliação. Era um centro catalisador dos melhores profissionais do mercado, funcionava como um pregão de ofertas. A formação das chapas que disputavam a eleição para o sindicato era feita na CVI", conta.

Elpídeo Eugênio Mônaco

Elpídeo Eugênio Mônaco

"Foi o período mais fértil de minha carreira profissional. Aprendi a admirar cada vez mais a profissão de Corretor de Imóveis. Meu mestre maior foi José Floriano de Toledo, que me ensinou que antes de qualquer outro interesse, estará sempre o dos clientes. Dizia ele: resolvamos satisfatoriamente o interesse das partes que a nossa comissão será sagrada. Ensinou-me que ser Corretor de Imóveis é um privilégio, pois temos liberdade para entrar em todas as dependências da casa para exercer nosso mister, sendo depositário de segredos financeiros de viúvas e pessoas ingênuas para quem seus conselhos são acatados como dogmas. E mais: que as avaliações devem ser criteriosas e justas, pois em cada negócio realizado há a conquista de mais dois clientes e amigos", finaliza.

Lúcio Monteiro da Cruz

Também não pode deixar de ser lembrado o santista Lúcio Fernandez Monteiro da Cruz (Creci n.º 18), que também presidiu o Creci 2ª Região e o Cofeci (1974-76).

"O trabalho da diretoria do Creci nos primeiros anos de fundação era muito difícil e contava com poucos recursos: inscrever, disciplinar e fiscalizar os profissionais do mercado imobiliário. O trabalho da fiscalização era mais educacional que punitivo. Faltavam verbas para realizar a fiscalização ou para a compra de uma frota de carros. Durante a minha gestão como presidente do Creci (1972-74), criei um departamento de inspeção e fiscalização. Enviava uma mensagem aos corretores que deviam ou estavam na ilegalidade para que entrassem em contato com o Creci e acertassem sua situação."

"Outra mudança importante foi introduzida pela Cia. City, que era a maior empresa de loteamentos (Jardim Europa, região Morumbi, entre outras): os com imóveis de terceiros, que passaram se interessar pelos novos. Com a City os profissionais do mercado imobiliário precisaram buscar a especialização por segmento. Esta mudança também está relacionada ao crescimento da cidade (movimentos imigratórios pós-guerra) e à grande procura por imóveis. Algumas imobiliárias se especializaram em loteamento, outras em imóveis de terceiros e outras com captação de compradores", relembra.

"O trabalho do Corretor era discriminado, a profissão era vista como uma alternativa para quem não teve capacidade de seguir uma vida acadêmica (engenharia, direito, medicina) e por isso iniciava o trabalho de venda de imóveis. Naquela época, a comissão era de 3% e se vendia uma média de quatro imóveis por mês. A venda era realizada da seguinte maneira: sinal (10%), a entrada era complementada (30% a 40%) e o restante do saldo financiado de dois a quatro anos (juros de tabela, não havia inflação). Este sistema vigorou enquanto a inflação era baixa. A introdução do BNH modificou bastante a venda de imóveis. Os proprietários queriam vender o imóvel à vista, já que os financiamentos particulares demoravam até noventa dias para ser aprovados. Para a contratação davam preferência para os homens (difícil acesso para as mulheres) e casados", finaliza Lúcio.

Plínio Gonzaga

Plínio Gonzaga começou a atuar na organização da categoria em 1952, quando foi convidado por Nelson Torres Galvão para participar da comissão da assembléia do sindicato, que ficou responsável pela reorganização do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná. Participou da diretoria nas três gestões de João Sartoro, sempre com intensa atuação na área sindical. Foi um dos fundadores da Câmara de Valores Imobiliários do Estado do Paraná, em agosto de 1963, suplente na primeira diretoria do Cofeci, em 1962, e fundador do Creci 6ª Região/PR.

De funcionário de uma compahia de exportação de café, em 1953, passou a atuar no mercado imobiliário de terceiros. Tinha grande preocupação com o treinamento e a organização dos Corretores de Imóveis. Conta que só trabalhava com a Opção de Venda e recorda-se da fundação da associação, quando cada membro fez a doação de um móvel para mobiliar a sede, localizada na rua Ermelindo de Leão, em Curitiba.

"Os Corretores precisavam de um alvará na Prefeitura para poder trabalhar; eram conhecidos como zangões. Era necessário dar-lhes condições para transformá-los em profissionais. O interesse da classe era a união e a respeitabilidade da profissão", afirma. Segundo Plínio Gonzaga, a divulgação dos imóveis era muito precária, e eles utilizavam os anúncios veiculados na Gazeta do Povo para comercializar seus imóveis.

A profissão no Paraná, após a fundação do sindicato, ganhou grande respeitabilidade. Plínio Gonzaga se recorda de que a venda de lotes no Estado, para a Cia. Melhoramentos, só foi feita com a participação do Corretor de Imóveis. Outro importante fato que deu maior respeitabilidade à categoria foi a aprovação da Leiº 4.116/62, da qual Plínio participou. "Esta lei trouxe grande status para a nossa classe. Nossos líderes foram diversas vezes para São Paulo e trouxeram, além da nova lei, todo o modelo para a formação da Câmara de Valores Imobiliários", recorda-se.

Com a criação do Creci 6ª Região, a profissão estava totalmente regulamentada e passava a dispor de um órgão de fiscalização. O sindicato deu muita credibilidade e sustentação ao início dessas atividades, além de favorecer o Corretor ao fazer convênios com jornais e com entidades de assistência médica e jurídica. Plínio Gonzaga, entretanto, salienta uma característica peculiar do curitibano, um povo muito disciplinado que obedece às leis, o que facilita o trabalho de fiscalização, já que não existiam carros no Creci, e o trabalho dos fiscais era feito de ônibus.

Quando a Lei nº 4.116 foi julgada inconstitucional, Plínio Gonzaga era vice-presidente de Edmundo Carlos Freitas Xavier, no Cofeci. "A orientação era para que continuássemos trabalhando normalmente, até que uma nova lei fosse aprovada. Fizemos um trabalho de motivação em todas as regiões para que os líderes da nossa categoria pressionassem os políticos", conta. Ele também procurou fazer convênios no Paraná para a criação de cursos técnicos, sendo um deles com o Senac, em 1971. Isso só foi possível com a defesa da tese no Congresso de Corretores de Curitiba, na qual sugeria um currículo básico para o curso.

Um orgulho dos Corretores paranaenses é a prática das transações mediante contrato de exclusividade. "Com ela, alcançamos o amadurecimento do mercado e uma forma de coibir a atuação daqueles que trabalham sem estar habilitado para o exercício profissional".

Francisco Ribeiro Alves

Corretor de Imóveis de registro número 1 no Creci do Rio Grande do Norte, Francisco Ribeiro Alves, mais conhecido como Chico Ribeiro, começou vendendo imóveis na década de 50, quando a profissão ainda não era regularizada. Antes de ingressar no mercado trabalhava como inspetor da Sul Amércia Seguros. "Como era bom vendedor, fui convidado para comercializar um loteamento da empresa Lira de Oliveira. Com o sucesso das vendas, continuei nesta profissão."

Chico Ribeiro foi um dos maiores loteadores do Rio Grande do Norte entre 1950 e 1980, inclusive dando nomes aos bairros de Natal. Na década de 60 participou ativamente da luta pela regulamentação da profissão. Em 15 de março de 1973 foi aprovada sua filiação ao Creci 7ª Região/PE, com o número 759. "Naquela época, todos os Estados do Nordeste estavam subordinados ao Creci de Pernambuco", situação que só mudou em 1974, quando Chico Ribeiro levou para Natal uma delegacia do Creci, que funcionou no seu próprio escritório de 25/3/74 até o ano de 1979, quando foi criado o Creci 17ª Região/RN. Foi nomeado presidente provisório entre fevereiro e abril de 1979 e eleito conselheiro federal e presidente do Creci para o período de 1979 a 1982, sendo reeleito para um segundo mandato. Em 1984 continuou a trabalhar pela entidade como vice-presidente, cargo que será ocupado até o ano 2000.

Ubirajara Celestino Zapponi

Zapponi foi conselheiro federal e regional do Creci 1ª Região/RJ e diretor de patrimônio do Cofeci na gestão 1997 - 2000. Iniciou sua atividade profissional em 1948, como auxiliar de escritório da Coper. A convite de José Portela, iniciou na corretagem de imóveis, vendendo terrenos do Loteamento Guaxindiba, em São Gonçalo (RJ). Em seguida vendeu terrenos do Loteamento Rio D'Ouro, e em 1950 já era chefe da equipe de vendas. "Eu nunca havia imaginado que poderia encontrar na profissão de Corretor de Imóveis uma carreira rentável. Em 1950, com a venda dos seis primeiros lotes do Loteamento Jardim Atlântico, no município de Maricá, precisamente na praia de Itaipuaçu, totalizei com a minha equipe a comercialização de mais de trezentos lotes somente no primeiro mês", conta.

Em Maricá, fundou a Organização Imobiliária Bel Mar. Entre as áreas comercializadas estão: Retiro Jardim Imperador, loteamento Vila Corcundinha, em Campo Grande, o loteamento Santo Eugênio, em Nova Iguaçu. Deve-se salientar sua iniciativa em promover um jantar em comemoração ao Dia do Corretor de Imóveis, com patrocínio do jornal O Globo, para oitocentos corretores. O evento contou com a presença do presidente do Cofeci Aref Asseury e do presidente do SCIESP, José Roberto Malta. Nesse jantar foi organizada uma chapa, com a finalidade de acabar com a intervenção do Cofeci no Creci/RJ. A chapa Zapponi venceu foi por quatro gestões consecutivas, sendo ele tesoureiro do Creci/RJ e por duas gestões foi indicado Conselheiro Federal.

 

Anterior | Próximo

rodape