Perguntas e Respostas - VI ENBRACI/CIMI 2014 - Fortaleza-CE

RESPOSTAS A PERGUNTAS FEITAS DURANTE O PAINEL DE DEBATES COORDENADO PELO PRESIDENTE DO COFECI, JOÃO TEODORO, DURANTE O VI ENBRACI EM FORTALEZA-CE

 

Debate: Imagine o mercado imobiliário e a ocupação de território brasileiro em 2030, que foi mediado pelo Presidente João Teodoro no dia 16/09 durante o ENBRACI

 

  • GERSON XAVIER pergunta para Teodoro: O que nós, corretores de imóveis, podemos fazer para ajudar ou impedir essa imoralidade de transformar os funcionários dos CRECIs em funcionários públicos (efetivos)?
    R. O Sistema COFECI-CRECI tem trabalhado muito junto ao governo federal, ao legislativo e ao judiciário, respondendo a ações e propondo outras, além de discutir muito com o legislativo qual a medida legislativa seria necessária para mudar a disposição do judiciário em transformar os funcionários do Sistema COFECI-CRECI em funcionários públicos. A medida que nos parecido a mais adequada é a aprovação de uma emenda constitucional, que implica votação em dois turnos e por maioria qualificada de votos na Câmara e no Senado. Não é fácil. Por isso, a ajuda que podemos esperar dos nossos colegas é que façam pressão nos parlamentares seus conhecidos em seus estados, para que apoiem as medidas sugeridas pelo COFECI.

  • LUIZ FERNANDOI CUNHA/RJ pergunta para Teodoro: O BNH está fazendo falta? Ele deve voltar? É importante para casas populares?
    R. Na verdade, Luiz Fernando, hoje podemos até dispensar o BNH. Na sua época ele foi muito importante e consideramos uma pena que tenha sido extinto. Mas isso é passado. Hoje em dia, seria mais útil se tivéssemos um Ministério da Habitação que pudesse transformar em projetos de Estado e não apenas em projetos de governo programas como o “Minha Casa Minha Vida”, e que pudesse estabelecer uma verdadeira e perene política de Estado para a habitação no Brasil, na qual pudéssemos ter a segurança de que as regras não seriam mudadas ao bel prazer do governante de plantão.

  • LUIZ FERNANDOI CUNHA/RJ pergunta para Teodoro: Qual o grande vilão da inflação imobiliária, a bolha ou a ganância dos proprietários?
    R. Nem um nem outro, Luiz. A bolha porque não existe nem nunca existiu no Brasil; a ganância dos proprietários também não porque esta se regula pelo jogo da oferta e da procura. O vilão da inflação, na verdade, foi o Plano Collor, lá nos idos de 1990, que confiscou nossa moeda, deixando cada brasileiro com apenas 50 cruzados no bolso. A queda do mercado imobiliário foi tão violenta que ele jamais se recuperou até o ano de 2005, quando começamos a ter disponibilidade financeira em abundancia para financiamentos habitacionais. Como a demanda por habitação estava tremendamente reprimida desde 1990, houve uma grande corrida ao mercado para compra de imóveis, já que havia financiamento em abundância. O resultado foi a elevação imediata dos preços, que persistiu até meados de 2012. Eis o motivo da inflação.

  • ALGUÉM, inominado, pergunta para Teodoro: O dentista estuda cinco anos, o advogado estuda quatro anos e ainda precisa fazer exame de proficiência na OAB e assim por diante. Qualquer um torna-se corretor da noite para o dia com algumas simples provinhas. Por que não ser obrigatória a faculdade de corretagem para a formação de corretor? Esta seria a única maneira do corretor ser profissional e ser levado a sério, certo?
    R. Não necessariamente. O corretor pode ser muito bom profissional e muito respeitado mesmo sem ter um curso superior, como acontece em vários países, como os EUA, por exemplo. O curso superior ajuda muito, mas o que mais conta é o comportamento profissional e ético do corretor que, infelizmente, ainda é muito negligenciado no Brasil. Por outro lado, porquanto as escolas de formação de técnicos em transações imobiliárias a distância tenham contribuído em muito para a disseminação da profissão por todo o Brasil, há muitas escolas “picaretas” Brasil afora simplesmente vendendo diplomas. Inúmeras denúncias têm sido feitas pelo Sistema COFECI-CRECI ao MP e à PF, mas poucas delas resultam em punição, lamentavelmente. Por isso, o curso superior obrigatório seria, sim, de grande ajuda nessa questão. Com ele a picaretagem nas escolas seria bem menor, senão nula. Nossa intenção é agregar à Lei 6.530/78 o curso de nível superior, mas sem acabar com o curso técnico de nível pós-médio. As atribuições, obviamente, seriam distintas, excetuando os direitos adquiridos daqueles que forem inscritos no Sistema na data da aprovação de nova lei. Outra saída seria a implantação obrigatória do exame de proficiência. Isso também está prevista na proposição que será feita ao Legislativo para mudança da Lei 6.530/78.

  • ROLAND RUBLITZ/JONVILLE/SC pergunta para Paulo Takito: Em algum lugar do mundo um mesmo terreno tem valores diferentes? Exemplo: se for para uma escola é X, se for para um shopping é Y?
    R. Normalmente não, Roland. A destinação não pode alterar o valor de comercialização de um terreno, já que ele tem suas diversas possíveis destinações como seu DNA. Em função do conjunto delas, mais as características físicas, localização etc. do terreno se estabelece o seu valor de comercialização. Não importa se ele vai ser usado para uma ou outra das destinações possíveis. O que pode acontecer é que um determinado comprador ofereça mais do que o preço normal, como num leilão, a fim de ser preferido em relação a outro possível comprador que destinaria o terreno a atividade diversa. Nada mais que isso.

  • GILBERTO YOGUI/SP pergunta para Paulo Takito: Revitalizações de centros velhos nas grandes cidades estão revitalizando de maneira correta?
    R. Em princípio, sim. Ocorre que os casos de revitalização não são semelhantes aos de novas construções. As revitalizações, salvo raras exceções, são reaproveitamento de construções já existentes, não raro, tendo sua utilização reorientada. O objetivo, nestes casos, é principalmente impedir a invasão de áreas consideradas nobres, pela sua localização, por famílias de sem tetos, drogados, arruaceiros, etc., transformando áreas geralmente centrais em áreas evitáveis pela população. De modo geral, as revitalizações têm sido bem orientadas.

  • FELIPE, IMOVILLE/JOIVILLE/SC pergunta para Paulo Takito: Como convencer um proprietário a vender um terreno para uma escola ao invés de vender para o incorporador, se o zoneamento permite ambos os usos? Não existe vantagem.
    R. Se há interesse maior por uma escola no local, a única forma possível é apelar para a sensibilidade cidadã do proprietário, ou convencer o comprador que quer comprar o terreno para escola a pagar mais do que o outro interessado. Normalmente, prevalece o interesse financeiro. Infelizmente. Se, entretanto, a escola for de natureza pública, de interesse do Estado ou do município, o poder público pode desapropriar o terreno, nos termos da lei.

  • MARCOS PAULO/RJ para Renato Teixeira: O Sr. Ainda vende o Alphaville? Se sim, indica esse tipo de empreendimento para investimento?
    R. Sem dúvida. Vendemos e indicamos como investimento, seja para o comprador de unidades, seja para empreendedores. Trata-se de um sistema vitorioso que, conforme deduzido neste painel de debates, está em perfeita sintonia com as necessidades dos bairros panejados dos novos tempos em que vivemos.

  • MARCOS PAULO/RJ para Renato Teixeira: Qual o papel do corretor nas comunidades planejadas?
    R. O mesmo papel que exerce na venda de qualquer empreendimento. A única diferença é que nas comunidades planejadas, em geral, há um intenso trabalho de pré-venda realizado pelos corretores antes do dia D, ou seja, do dia do lançamento oficial. Mas o trabalho do corretor é, basicamente, o mesmo: movimentar (contatar) seu network e oferecer seus produtos, com a simpatia e a competência que lhe devem ser peculiar.