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Conquista e Reconhecimento

 

Nos anos 40 os Corretores de Imóveis faziam parte de uma categoria organizada e reconhecida por toda a sociedade. Os sindicatos tinham uma estreita ligação com as associações comerciais, conseguindo estender aos seus associados todas as garantias conquistadas pelos trabalhadores brasileiros. Uma prova é o Decreto n.º 5.493 de 9 de abril de 1940, pelo qual os Corretores de Imóveis eram segurados no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, pagando seguro anual obrigatório.

Outra conquista importante foi o reconhecimento da capacidade técnica desses profissionais por parte do poder público, que passou a considerar como avaliação oficial a que era feita pelo Sindicato de Corretores de Imóveis, repartição arrecadadora ou por via judicial. Graças a este convênio, os Corretores sindicalizados passaram a utilizar nos seus anúncios, depois do nome do escritório, a expressão "do Sindicato dos Corretores de Imóveis", ou "filiado ao Sindicato dos Corretores de Imóveis".

Convênios com Jornais

Todos os Corretores deveriam utilizar a mesma expressão, não só para a completa caracterização do profissional, mas também para as concessões de preço preferencial nos principais jornais. Estes descontos foram conquistados por meio de convênios firmados entre as diretorias dos sindicatos e os proprietários dos jornais, um cuidado especial com a defesa e proteção dos interesses da classe.

Reunião da Diretoria da SCIESP na sede do Jornal O Estado de São   Paulo

Reunião da Diretoria da SCIESP na sede do Jornal O Estado de São Paulo

No informativo da Associação Profissional de Corretores de Imóveis de 29 de setembro de 1941 são noticiadas diversas conquistas, como a manutenção no preço dos anúncios nos classificados de domingo do jornal O Estado de S. Paulo para os Corretores sindicalizados. Os demais anunciantes teriam um acréscimo de 20% na tabela de preços dos seus anúncios.

Posse da Diretoria do Pregão Imobiliário em 20/02/1945

Posse da Diretoria do Pregão Imobiliário em 20/02/1945

A diretoria alegava que o aumento afetaria os interesses e economia dos Corretores de Imóveis mais gravemente do que a qualquer outra classe de anunciantes, já que grande parte da sua receita (incerta e variável) era absorvida pela publicidade. Ficou estabelecido, então, que para os anúncios dos Corretores de Imóveis sindicalizados seria mantido o preço antigo. Eles deveriam apresentar um certificado expedido pelo sindicato.

Assim como o Diário de São Paulo e o O Estado de São Paulo, o jornal Folha da Manhã também oferecia um preço especial em seus anúncios e um desconto de 20% para os Corretores sindicalizados. Para anunciar em qualquer um deles, o Corretor deveria ter uma autorização do proprietário, conhecida como "Opção de Venda". Neste contrato constava, inclusive, o valor da comissão de 3% sobre o preço da venda e o prazo de validade da opção.

Inovação na Comercialização de Imóveis

A criação do Pregão Imobiliário, no dia 30 de novembro de 1940, também foi outra importante iniciativa que aumentou ainda mais a credibilidade de toda a categoria na sociedade - por intermédio de uma iniciativa da Associação de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, da Rádio Tupi e do jornal Diário de São Paulo. Os Corretores sindicalizados, que também eram anunciantes dos classificados do Diário de São Paulo, poderiam divulgar gratuitamente os textos para o Pregão dos Negócios Imobiliários, transmitido todos os sábados, a partir das 16 horas, e reproduzido nas edições de domingo do referido jornal. Em função do pregão, o Diário de São Paulo passou a oferecer aos Corretores sindicalizados um preço especial em seus anúncios e um desconto de 20%.

O Pregão Imobiliário foi criado durante o mandato da terceira diretoria da Associação de Corretores de Imóveis (15/2/1940 a 2/9/1942), presidida por Godofredo Handley, tendo Fausto de Mello Barreto como vice-presidente; João Batista Mancine como primeiro secretário; José Floriano de Toledo como segundo secretário; Júlio Mendes Taller como primeiro tesoureiro; Laurentino de Araújo como segundo tesoureiro. O Conselho Fiscal foi composto por Luiz Soares Filho, Nelson Mendes Caldeira e Waldomiro Macuco Vasconcelos.

Era uma entidade econômica destinada a concentrar ofertas e pedidos de valores imobiliários. Os Corretores pertencentes ao Pregão se reuniam na sede do Sindicato - no salão, um local considerado como o mais apropriado naquela época. Cada um fazia a apresentação metódica dos negócios de que estava incumbido, com a devida autorização do proprietário. Aqueles que estivessem interessados nos negócios apregoados deveriam manifestar seu interesse, estabelecendo em seguida os entendimentos diretos para levar a efeito a transação.

Sua grande vantagem era a rapidez com que os negócios eram concluídos, para os padrões da época. De acordo com uma circular do SCIESP, datada de 14 de fevereiro de 1941 e assinada por Godofredo Handley e José Floriano de Toledo (presidente e primeiro secretário), o Pregão representava uma extraordinária rapidez e segurança nas transações, evitando, para os Corretores, uma série de desperdícios: de tempo, de dinheiro e de energias, forçando a circulação de negócios e impedindo o engavetamento dos mesmos. Esta iniciativa só era disponível aos Corretores sindicalizados.

Pregão Imbiliário: Boletim informativo do Sindicato de Corretores   de Imóveis do Estado de São Paulo - 2º semestre de 1968

Pregão Imbiliário: Boletim informativo do Sindicato de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo - 2º semestre de 1968

Na visão de Nelson Mendes Caldeira, um dos fundadores da Associação Profissional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, o Pregão representava uma escola, por reunir os mais experientes profissionais, proporcionando-lhes a discussão de seus negócios mediante um sistema prático e eficiente. "O Pregão faculta-lhes a visão panorâmica do mercado imobiliário. Através de curso ou do próprio debate das questões, coloca ao seu alcance conhecimentos essenciais para a profissão. Age, pois, como esplêndido fator de aperfeiçoamento. Daí, seu sucesso é incontestável", afirmou Caldeira em uma entrevista ao O jornal, em novembro de 1942.

O Pregão Imobiliário deu origem à Câmara de Valores Imobiliário (CVI), passando a ser assim denominado a partir do dia 10 de janeiro de 1946. A entidade foi constituída com os mesmos ideais do Pregão: concentrar as ofertas e pedidos de bens ou valores imobiliários, e zelar pela segurança, rapidez e correção das transações imobiliárias por meio de órgãos de investigação e estudos e de rigorosas avaliações de imóveis.

Rigor na admissão

No início de 1942 a Associação de Corretores de Imóveis regulamentou um projeto rigoroso para a admissão de novos associados. Eram aceitos apenas os profissionais que exercessem efetiva e seguidamente a profissão durante, no mínimo, dois anos, mediante prova concludente. Mais que isso, era preciso preencher todos os requisitos de absoluta idoneidade moral e profissional.

Entre os documentos exigidos, o profissional deveria apresentar os atestados de antecedentes criminais e político-sociais. Uma pessoa que fosse condenada a qualquer pena não poderia ingressar ou pertencer ao sindicato durante o tempo de condenação. Para que um novo sócio fosse admitido, deveria ser indicado por, no mínimo, dois outros Corretores associados.

Eleita a primeira Directoria do Syndicato dos Corretores de   Immoveis - Diário de São Paulo - 16/05/1938

Eleita a primeira Diretoria do Sindicato dos Corretores de Imoveis - Diário de São Paulo - 16/05/1938

Um dos casos mais conhecidos do rigor na seleção foi o do Corretor Rubens Coelho, que recebeu o título Colibri de Ouro (mais tarde presidente e membro de diversas diretorias do SCIESP, e presidente do Cofeci, de 6/10/74 a 6/12/74). Por constar em sua certidão negativa uma ocorrência (um atropelamento em Santos do qual já havia sido julgado e inocentado), não pôde ser admitido, só o conseguindo na segunda tentativa, quando o fato foi excluído da certidão.

Fundação do Sindicato de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo

A quarta diretoria da Associação Profissional dos Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo teve um mandato mais curto - seis meses (2/9/1942 a 18/2/1943), dando origem ao Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo (SCIESP). A quarta diretoria foi composta por Waldomiro Macuco Vasconcelos (presidente), José Floriano de Toledo (primeiro secretário), Francisco Xavier da Silva (segundo secretário), Júlio Mendes Taller (primeiro tesoureiro).

Após quatro anos reunindo os profissionais da área e organizando a profissão, a associação conseguiu a carta patente do Ministério do Trabalho. No dia 18 de fevereiro de 1943 a diretoria eleita foi empossada, dando início a uma nova batalha: a regulamentação da profissão junto ao governo federal.

O primeiro presidente do SCIESP foi José Floriano de Toledo, tendo como vice Newton Bicudo (filho de Argemiro Bicudo). Jorge Monteiro era o secretário geral, sendo Olavo Ferreira Lima o primeiro Secretário e Antônio de Lucca o segundo Secretário. A chapa era composta ainda por Júlio Mendes Taller (primeiro tesoureiro) e Armando Ruggiero (segundo tesoureiro).

Estatuto

Entre as principais atividades dessa diretoria, destacou-se a batalha pela normatização dos procedimentos na corretagem de imóveis. O primeiro trabalho, neste sentido, foi a formulação do Estatuto do Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo. No seu primeiro capítulo é definida a finalidade do sindicato: coordenar, proteger e representar legalmente a categoria, além de colaborar com os poderes públicos e as demais associações no sentido da solidariedade profissional e de sua subordinação aos interesses nacionais.

Eram prerrogativas do sindicato representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses individuais dos associados; fundar e manter agências de colocação; firmar contratos coletivos de trabalho; eleger ou designar os representantes da categoria; adotar medidas para cercear a atividade ocasional de intermediários e constituir o quadro oficial de corretores do sindicato, entre outras.

O estatuto também estabelecia os deveres do sindicato: colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento da solidariedade das classes; promover a fundação de cooperativas de consumo; manter serviços de assistência jurídica para seus associados; fundar e manter cursos de aperfeiçoamento profissional e instituições de assistência social; promover a conciliação em dissídios entre os Corretores ou entre estes e os interessados nas transações imobiliárias.

No segundo capítulo estavam os direitos e deveres dos "elementos de atividade econômica" perante o sindicato. Os associados eram divididos em fundadores, efetivos e beneméritos. As normas eleitorais estavam previstas nos capítulos 3º ao 7º. Para poder votar, o Corretor deveria ser associado por no mínimo seis meses.

O estatuto estabelecia ainda como seriam as assembléias gerais e a administração da entidade, a constituição da diretoria e o que cabia a cada um de seus membros, bem como fatos que gerariam a perda de mandato e de que forma a diretoria deveria agir em caso de substituição de um dos membros.

Regulamento das Transações Imobiliárias

Por intermédio de um convênio firmado entre os sindicatos dos Corretores de Imóveis de São Paulo e do Rio de Janeiro, no dia 10 de outubro de 1942, as duas entidades passaram a adotar medidas de interesse para classe e para o aperfeiçoamento das transações imobiliárias no Brasil. Alguns dos documentos firmados nesse convênio, codificando praxes e usos, constituíam uma verdadeira legislação supletiva, tanto que inúmeras cidades brasileiras passaram a adotar esse regulamento.

As relações entre o Corretor e as partes, e dessas entre si, foram reguladas pelas disposições desse regulamento, na falta de convenção escrita. Estabelecia que a obrigação do Corretor iria até o ajuste das partes interessadas, quando lhe seria devida a remuneração conveniada. Esta remuneração deveria ser mantida se, antes de esgotado o prazo da autorização concedida ao Corretor, o cliente revogasse ou desistisse da transação, ou mesmo se ele dispensasse os serviços ou embaraçasse a atuação do Corretor.

A remuneração deveria ser paga pelo vendedor no ato do recebimento do sinal ou princípio de pagamento, ou no ato da assinatura da promessa de venda. O regulamento estabelecia o que deveria ser feito em cada caso que a venda se realizasse, seja por meio de empréstimo, financiamento ou outro. O sinal deveria corresponder entre 10% e 20 % do preço ajustado na transação.

O Decálogo do Corretor

Trata-se de outro documento aprovado pelos sindicatos dos Corretores de Imóveis de São Paulo e do Rio de Janeiro em outubro de 1942. Descreve como deveria ser o espírito e a conduta dos profissionais, tanto perante seus clientes e companheiros de classe, como em relação à entidade.

  1. O Corretor vive o valor e seriedade de sua palavra, de sua ação e de seu espírito de iniciativa.
  2. É o espírito de cooperação, e nunca o de competição ou concorrência, que deve presidir as relações entre os Corretores. Não há necessidade de perturbar o negócio entregue a outro Corretor, pois todo dia fica sempre aberta a porta da colaboração.
  3. Não deve o Corretor aceitar a incumbência de venda ou de compra de um imóvel que seja entregue a outro, cumprindo-lhe, portanto, indagar sempre do cliente a respeito.
  4. Nenhum Corretor deve oferecer um imóvel sem estar devidamente autorizado pelo cliente ou por outro Corretor autorizado.
  5. Não cabe ao Corretor o direito de prender em suas mãos um negócio, se não tiver a probabilidade de realizá-lo.
  6. Ao oferecer um negócio, cabe ao Corretor apresentar dados rigorosamente certos, nunca omitindo detalhes que o depreciem.
  7. Diante de cliente e estranhos, nunca deve o Corretor atacar, mas ao contrário, defender e justificar seus colegas. Só com esse ânimo conseguirá elevar o nível da classe, com proveito geral para si próprio.
  8. As queixas devem ser levadas por escrito ao conhecimento do Sindicato, e nunca expostas ao público. O desprestígio de um Corretor reflete o conceito de todos os seus colegas.
  9. Da camaradagem, respeito e amizade entre os Corretores resultará inevitavelmente a elevação moral da classe e um campo mais vasto de negócios e oportunidades para todos.
  10. O Corretor deve colocar estes preceitos da ética profissional acima de seus interesses materiais, respeitando-os incondicionalmente.

Convênio e Comissão

Os sindicatos também concordaram em tornar norma definitiva, para efeito de divisão de comissão de seus associados nos negócios trabalhados conjuntamente, as seguintes taxas:

  • para os Corretores sindicalizados, a divisão das comissões deveria ser a meio, ou de acordo com as taxas previamente combinadas;
  • para os Corretores não pertencentes aos sindicatos, no máximo um terço das comissões auferidas;
  • para simples intermediários, isto é, pessoas sem escritório montado e que não tivessem na profissão o exercício habitual, meio por cento.

A tabela de comissões compreendia a compra, venda ou permuta de imóveis, hipotecas e financiamentos, incorporações, loteamentos, locação, administração de bens e outros encargos e avaliação de imóveis. Era dividida tanto pela porcentagem como taxa mínima de comissionamento. As taxas de comissão eram de ,no mínimo, 1% (exemplo: estudo técnico preliminar de incorporação) até comissões que variavam entre 5 a 10% (exemplo: venda ou hipoteca de sítio, chácara e propriedade rural).

O maior valor de comissionamento poderia chegar a 20%, quando se tratasse da venda de loteamento em área suburbana, incluindo a organização da venda e publicidade inicial, paga por unidade comercializada. O valor mais comum de comissão estava na casa dos 3%, compreendendo a venda ou hipoteca de prédio, loja, sala, apartamento, terreno urbano, financiamentos e locação avulsa.

Opções e autorizações

No mesmo convênio firmado entre os sindicatos dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro de São Paulo, ficou estabelecido um documento: o "Modelo de Autorização para a Procura de Imóveis", mais conhecido como "Opção de Venda". Este modelo de contrato está de acordo com o artigo 4º do Decálogo do Corretor: "Nenhum Corretor deve oferecer um imóvel sem estar devidamente autorizado pelo cliente ou por outro Corretor autorizado". Além da autorização de vendas, o contrato podia ser utilizado para a autorização de empréstimo hipotecário, de procura por imóveis e de proposta de aquisição.

Modelo de autorização para a procura de imóveis

Foi firmado conjuntamente pelos Sindicatos dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Modelo de autorização para procura de imóveis:

DECLARAÇÃO

Declaro que convencionei com o corretor de imóveis sindicalizado, ...................................... com escritório nesta cidade ..................................... a prestação de seus serviços profissio-nais até o dia ............. para o fim de promover a procura de um ...................... por preço não excedente de CR$............................................................. obrigando-me:

1) a pagar ao citado corretor, no ato do pagamento do sinal, ou se não houver, no ato da escri-tura de promessa de compra e venda, em remuneração dos seus serviços, a percentagem de ............... por cento (......%) sobre o preço pelo qual a compra foi ajustada, correndo por sua conta as despesas da realização da transação;

2) a pagar a remuneração acima se mesmo fora do prazo, adquirir imóvel de pessoa indicada ou apresentada pelo citado corretor ou com quem ele haja iniciado negociações, ainda que a transação seja ultimada sem a sua interferência;

Fica entendido que o corretor prestará seus serviços profissionais com zelo e solicitude, ob-servando sempre, assim como o declarante o Regulamento das Transações Imobiliárias, não tendo direito à remuneração alguma se a compra for realizada nas condições acima mencio-nadas.

Rio de Janeiro, ......... de ................................... de 194....


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Assinatura

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Endereço

Formação e Informação:
O Futuro da Comercialização de Imóveis

A década de 40 ficou marcada como a do reconhecimento e organização da profissão. Os Corretores conquistaram o respeito junto aos proprietários de jornais em função do grande volume de anúncios. Perante a sociedade, passaram a ser vistos como Consultores Imobiliários, autorizados mediante contrato exclusivo para a comercialização de imóveis.

Ser sindicalizado era motivo de orgulho e uma garantia de bons antecedentes. Mas para que de fato a profissão fosse oficialmente reconhecida, ainda era necessário a sua regulamentação e a criação de cursos técnicos, aprimorando ainda mais a formação dos Corretores e sua atuação no mercado imobiliário. A escola da vida continuava sendo a única fonte de informação desses profissionais.

Em uma entrevista cocedida a O Jornal, no dia 12 de novembro de 1942, no Rio de Janeiro, Nelson Mendes Caldeira, empresário e fundador da Associação Profissional de Corretores de Imóveis, defendia a necessidade de funcionamento de uma escola de aperfeiçoamento profissional.

Entrevista de Nelson Mendes Caldeira para O Jornal, no dia 12 de   novembro de 1942

Entrevista de Nelson Mendes Caldeira para O Jornal, no dia 12 de novembro de 1942

Com o desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro e de São Paulo, surgiu uma nova profissão: a do corretor de imóveis. Não estranhe a afirmação; se me refiro a uma nova profissão é porque, realmente, o corretor hoje tem poucos pontos de contato com o que em épocas passadas servia de intermediário nas transações imobiliárias. E é lógica a evolução. As transações tomaram um impulso irreprimível. Avolumaram-se. Passaram a ser orientadas por novos processos. Do novo embate entre velhos sistemas, empíricos com teias de aranha, e as inovações que o progresso impôs, surgiram novas praxes, novos regulamentos, nova técnica.

Não basta qualificar os verdadeiros corretores de imóveis, distinguindo-os dos intermediários ocasionais. É preciso dar-lhes os instrumentos que a competição moderna exige. Para exercer bem o papel de conselheiro e orientador, precisa adquirir conhecimentos mais amplos. Precisa conhecer a topografia urbana, as peculiaridades da cidade e as diretrizes do seu crescimento. Impõe-se completar seus conhecimentos sobre os institutos legais que mais diretamente se relacionam com a propriedade. Não pode continuar alheio às noções de engenharia e arquitetura, às condições fundamentais da estética da cidade.

Precisa se dedicar também ao conhecimento de economia urbana, analisar as oscilações dos valores, pesquisas e prognosticar as suas tendências e reações. Não pode deixar de aprofundar-se nos processos racionais que regem as avaliações. Não lhe será demais, ainda, conhecer o que a psicologia ensina a respeito de nós próprios facultando-lhe, deste modo, o conhecimento e o trato mais inteligente com os nossos semelhantes. Até as bases fundamentais de publicidade não podem estar fora do seu alcance. Há uma soma de conhecimentos especializados que faz falta ao corretor e que deverá, em breve futuro, ser estudada em cursos especiais.

A época de hoje fez nascer essa profissão, nobre pela responsabilidade e capacidade que fundamentam, importante pelos encargos que a sociedade lhe atribui. Ou o corretor tem possibilidades morais, técnicas e intelectuais para exercê-la - ou não serve para a profissão, e deve escolher outra".

A maior fonte de informação do Corretor de Imóveis sobre o seu segmento e sobre o mercado imobiliário era o sindicato. Entre material editado, destacam-se os livretos, contendo o estatuto e todos os acordos firmados entre os sindicatos do Rio de Janeiro e São Paulo, o Regulamento das Transações Imobiliárias, o Decálogo do Corretor, o convênio sobre o comissionamento e a tabela de comissões.

As circulares também eram muito utilizadas, tanto para assuntos referentes ao pagamento de taxas, reuniões, assuntos de interesse individual, como também para a prestação de serviços. Elas informavam desde eventos sócio culturais, como a projeção de filmes ligados à arquitetura e ao urbanismo, até esclarecimentos sobre alistamento eleitoral, serviço militar, entre outros.

Para atender uma velha aspiração da classe, em setembro de 1956 o Sindicato de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo apresentou em seu boletim mensal a proposta para a criação de um curso técnico, que seria destinado aos Corretores com pouca experiência ou que quisessem iniciar-se na atividade. Os mais antigos também poderiam participar, por meio de um curso de extensão e aperfeiçoamento. A proposta era ministrar ensinamentos necessários para o bom desempenho da profissão.

O programa previsto abrangia matérias como geografia urbana e urbanismo (formação de São Paulo, razões históricas, econômicas e geográficas, visão topográfica e urbanista, código de obras, zoneamento, obras em execução e projetadas, perspectivas futuras de São Paulo), economia e finanças (demografia, fatores de crescimento, valores urbanos, cadastro, rentabilidade do imóvel, aplicação de capitais), arquitetura e construção (tipos de construção, estilos, influência, aproveitamento, preços, código de obras), noções gerais de direito (propriedade, compra e venda, hipoteca, locação, condomínio e vizinhança, leis de exceção, impostos, taxas e formulários), psicologia (relações humanas e oratória), o meio profissional (sindicalismo, direito e obrigações, jurisprudência, deveres cívicos e morais, ética profissional, corretores, tabeliães, repartições, registros etc.), a organização profissional (os instrumentos: opções, contrato de locação de serviços, plantas, cadastro, regulamentos, circunscrições etc., e o escritório: organização, controle, funcionamento e auxiliares) e publicidade (técnica e orientação).

Fundação do SECOVI

Constituído inicialmente por loteadores, estão chamados de terrenistas, o Secovi-SP teve sua origem em meados de 1946, numa São Paulo ainda incipiente como metrópole. Quatro anos depois, a então Associação Profissional das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo requereu ao Ministério do Trabalho a Carta Patente que a transformaria no Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis, embrião do Secovi-SP.

A Carta Patente foi concedida no dia 23 de junho de 1950, pelo ministro Honório Monteiro, titular da Pasta que à época era denominada Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Segundo Oswaldo Feliciano dos Santos, 31 anos de trabalho em prol do Secovi, para ser reconhecida como sidicato uma associação tinha de ter pelo menos dois anos de existência. "Isso era o que determinava a consolidação das Leis do Trabalho. Um sindicato não surgia de pára-quedas. Tinha antes de passar pelo estágio de associação".

A primeira diretoria do Secovi-SP foi eleita a 30 de julho de 1951, tendo como presidente Altino de Castro Lima , diretor-superintendente da Companhia City, empresa que ocupava a liderança na atividade de criar loteamentos na capital paulista. Os demais integrantes da categoria também eram todos terrenistas: Paulo Almeida Barbosa (Sociedade de Terrenos Saúde) e Alfredo Ferreira Veloso
(Imobiliária Jaguaré).

Entre os suplentes da diretoria e membros do conselho fiscal, a situação não era diferente. Lá estavam representantes de empresas responsáveis pela formação de diversos bairros paulistanos, como a Mazzei, Companhia Imobiliária Parque da Mooca, Companhia Cidade Jardim e a Companhia Melhoramentos Brás.

"O Secovi surgiu exatamente nos primórdios do sindicalismo patronal, no momento em que começavam a surgir as entidades de comércio", explica o advogado José Mateus Argemiro Candia, que se aposentou em 71 como assessor jurídico do Secovi.

De acordo com Candia, o Secovi foi uma das diversas entidades que nasceram pelas mãos de um autêntico pioneiro do sidicalismo patronal brasileiro: José Vidigal de Miranda. "Indicado por Roberto Simonsem, criador da Federação da Indústria, José Vidigal de Miranda estimulou a formação de uma série de sindicatos na área do comércio. Muitas dessas entidades fundadas por ele acabaram funcionando numa sede comum, na rua XV de Novembro, 228, no centro da cidade. Entre elas, estava o Secovi. Era um verdadeiro conglomerado de sindicatos, que, inteligentemente, utilizavam a mesma infra-estrutura de funcionamento. Vidigal era o secretário-executivo de todas essas entidades. Ingressei nesse pool em 1956, como advogado do Sindicato dos Representantes Comerciais. Fiquei nessa condição até 1960, quando assumi o departamento legal comum a todos os congregados", diz Candia.

Mudança de Rumos

O Secovi-SP, então com base apenas municipal, ficou sob o comando dos terrenistas até 1965, quando incorporadores e construtores passaram a ingressar no Sindicato, porém, seria Rafael Parisi, um conceituado cirurgião, que, por problemas de saúde, parou de abrir pessoas e passou a abrir loteamentos", brinca Candia.

Isaac Sahm, 76 anos, 15 como membro do Conselho Fiscal do Secovi-SP, conta como se deu essa transição:

"Em 1965, na Associação Comercial de São Paulo, na Rua Boa Vista, houve uma reunião entre construtores e incorporadores imobiliários, para discutir saídas para a crise vivida pelo setor. Depois de muitos debates, chegou-se a propor a formação de uma associação reunindo incorporadores e construtores. Um dos presentes, entretanto, lembrou que existia o sindicato dos terrenistas, que, de certa forma, eram também construtores e incorporadores, uma vez que modificavam a paisagem urbana, abrindo ruas, avenida se constituindo loteamentos. Por que então fundar uma nova entidade, se já existia algo semelhante", conta. "Dessa forma", continua, "ficou resolvido que iríamos conversar com eles. Fui encarregado de procurar os responsáveis pelo sindicato, na rua XV de Novembro, para ver se podia tornar-me associado. Quinze dias depois a diretoria aprovou minha entrada. A partir daí, passei a chamar os outros incorporadores para ingressar no Secovi. Em pouco tempo, éramos praticamente maioria no sindicato. Em 69, única vez em que houve duas chapas disputando a eleição no Secovi, com Élbio Camilo como presidente, chegávamos ao comando. Daí para frente, a entidade ingressaria numa nova era de sua existência", conclui Isaac Sahm.

A Organização dos Corretores de Imóveis no Rio Grande do Sul

A Associação Profissional de Corretores de Imóveis de Porto Alegre foi fundada no dia 26 de junho de 1944, às 14 horas. Quatorze corretores de imóveis se reuniram no gabinete do sr. Norival Paranaguá de Andrade - delegado regional do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. O objetivo inicial era pleitear o seu reconhecimento como sindicato e ter a jurisdição em todo o Estado, sob a denominação de "Sindicato de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul".

Na mesma reunião os fundadores da associação aprovaram seus estatutos e escolheram a diretoria, empossando seus membros. O presidente nomeou o advogado dr. Ottoni Camara Arregui para ser consultor jurídico da entidade e orientar na elaboração do processo de regularização da associação.

  • Presidente: Francisco Medeiros de Albuquerque
  • Secretário: Dagoberto Guimarães
  • Tesoureiro: Juvenal Rodrigues

Uma preocupação dos membros da Associação era oferecer vantagens aos Corretores de Imóveis. Desde as primeiras reuniões, a necessidade de regulamentação da profissão era um consenso. Antes disso, fazia-se necessário, entretanto, seu reconhecimento como um sindicato. Em junho já iniciavam os preparativos para a formação de uma chapa, que constituiria a primeira diretoria do sindicato. A chamada dos sócios para a votação era feita pelo livro de presença. Foi eleita por unanimidade, pelos doze votantes, a chapa constituída da seguinte maneira: Diretoria: Altamiro Almeira Viana, Dagoberto Guimarães e Juvenal Rodrigues; Suplentes: Aldo Hugo Einloft, Osvaldo Sperl e Oscar Francisco Dihel; Conselho Fiscal: Elisu Miranda, Miguel Ferreira Pinheiro e Laurdares de Carvalho; Suplentes do Conselho Fiscal: Henry Baugant, Ernani Jardim e Severiano Ricardo da Silva. Estava constituído o Sindicato dos Corretores de Imóveis de Porto Alegre. Dagoberto Guimarães foi o primeiro presidente, sendo Altamiro o secretário e Juvenal Rodrigues o tesoureiro. O reconhecimento oficial ocorreu em 4 de dezembro de 1945, quando foi publicado no Diário Oficial a autorização do Ministério do Trabalho, aprovando as eleições e autorizando a posse dos membros eleitos. A carta sindical foi assinada em 31 de março de 1945.

Na mesma época os membros do sindicato já elaboravam as diretrizes para a criação da Bolsa de Imóveis de Porto Alegre, que seria pleiteada junto ao governo do Estado do Rio Grande do Sul.

A história da Profissão no Paraná

Em 24 de dezembro de 1950, na rua Dr. Faivre, n.º 1229, reúnem-se Bernardino Fialho Sobrinho, Décio de Oliveira Viana, Iraja Mozzato Pinto, Paulino Lichacowski, João Batista Bianchini, Vespasiano Gomes Martins, Galdino Felix da Silva, Olegário Pires de Sá Ribas, João de Moraes Seixas, Dorival Cordeiro Ramos, Gamaliel F. de Carvalho e Peixoto Maciel. Em comum tinham a atividade de Corretor de Imóveis, e o objetivo deles era a fundação de uma associação profissional. A iniciativa foi de Bernardino Fialho Sobrinho, que também presidiu a assembléia. Décio de Oliveira Viana foi o secretário que lavrou o "Termo de Abertura" do primeiro Livro de Registro de Atas e Reuniões Ordinárias.

Entretanto, a idéia era fundar um sindicato a partir de uma associação, o que foi aprovado pelos presentes, bem como o seu estatuto. Décio de Oliveira Viana foi eleito presidente, Irajá Mozzato Pinto, secretário; João de Moraes Seixas, tesoureiro. No Conselho Fiscal foram escolhidos como efetivos Gamaliel F. de Carvalho, Peixoto Maciel, Dorival Cordeiro Ramos; como suplentes: Bernardino Fialho Sobrinho, Paulino Linchacowski e Galdino Felix da Silva. Na diretoria, figuravam, ainda, como suplentes João Bianchini, Vespasiano Gomes Martins e Alcides Gomes da Silva. Como primeiras medidas, foi dada posse imediata aos eleitos, conhecimento à imprensa local da criação da associação e comunicação telegráfica ao delegado do Trabalho. Todos os que assinaram a ata de fundação foram considerados sócios fundadores.

A primeira reunião da associação foi extremamente produtiva e importante. Além da aprovação do Regimento Interno, a diretoria contratou o advogado dr. Manoel Ribas para defender os interesses da associação e de seus associados, na Justiça do Trabalho ou fora dela. Era dado o início ao espírito de prestação de serviços, que sempre acompanhou os atos das entidades paranaenses.

Nos primeiros anos de fundação, a Associação Profissional de Corretores de Imóveis do Estado do Paraná reunia-se na Federação do Comércio, e as reuniões tinham como objetivo a admissão de novos associados. Em 1952 foi criada uma comissão organizadora, que tinha a missão de arrecadar estatutos e demais documentos necessários para o seu reerguimento. Nos anos seguintes foram eleitas novas diretorias. A de 1956 tinha como membros João Cândido de Lara (presidente), Nelson Torres Galvão (secretário) e Herley Volpi (tesoureiro). Com o falecimento do presidente e afastamento de outros membros, no dia 18 de agosto de 1961, foi realizada outra eleição, com Nelson Torres Galvão na presidência. A nova diretoria tinha como principal meta a transformação da Associação em Sindicato. Para tanto, era necessário a adequação ao plano do quadro de atividades e profissões.

Nasce o Sindicato dos Corretores de Imóveis de Curitiba e o Creci 6ª Região/PR

Em 13 de março de 1962, o exmo. sr. ministro de Estado dos Negócios do Trabalho, Indústria e Comércio assina a carta sindical, reconhecendo a então Associação Profissional dos Corretores de Imóveis de Curitiba, com a denominação de Sindicato dos Corretores de Imóveis em Curitiba, como sindicato representativo da categoria econômica - Corretores de Imóveis - integrantes do terceiro grupo Agentes Autônomos do Comércio, do plano da Confederação Nacional do Comércio, com base territorial no município de Curitiba.

No dia 5 de maio tomou posse a primeira diretoria do Sindicato. Nelson Torres Galvão foi eleito presidentel; Herlei Volpi, vice-presidente; Mautílio Muraro, secretário; Generoso Marques dos Santos Netto, tesoureiro. Outros treze membros completaram a diretoria.

No mesmo ano, com a aprovação de Lei nº 4.116/62, na Convenção dos Corretores de Imóveis realizada em São Paulo, nos dias 20, 21 e 22 de setembro, foi recomendada a realização pelos sindicatos, para a escolha dos membros do conselho federal e dos conselhos regionais de Corretores de Imóveis.

À assembléia coube a tarefa de deliberar sobre o número de conselheiros que integrariam o conselho regional. Por proposta do diretor Sérgio Gold, aprovada por unanimidade, foi estabelecido que seriam escolhidos seis membros da diretoria e seis dentre os filiados.

Para integrar a diretoria do Creci 6ª Região foram eleitos, por voto secreto, Nelson Torres Galvão, Herlei Volpi, Mautílio Muraro, Generoso Marques dos Santos Netto, Liveu Vieira Branco e Sérgio Gold. Dentre os Corretores associados, foram escolhidos Eli João Thomas de Aquino, Karlgeorg Tigges, Plínio Gonzaga, Lauro Machado, Abílio Rocha e José Izar. Como conselheiros federais, Nelson T. Galvão, Generoso e Mautílio.

Em 28 de setembro de 1965, o ministro de Estado dos Negócios e da Previdência Social concede extensão da base territorial de todo o Estado do Paraná ao sindicato, que passou a ser denominado Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado do Paraná.

A história da Profissão em Minas Gerais

No dia 17 de janeiro de 1953 foi fundada a Associação dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais. Vinte dias depois, tomava posse sua primeira diretoria, composta por Delcio Alves Martins (presidente), Aracy Santos (vice-presidente), Moacyr de Moraes Miranda (secretário), Francisco Ferreira Alves (segundo secretário), José de Aguiar Andrade (tesoureiro), Cleto Gonçalves da Rocha (segundo tesoureiro) e José Moreira Barbosa (bibliotecário). O Conselho Fiscal foi composto por Luiz Ferreira Maia, João Côrrea e Alberto Vieira.

Líder mineiro: Quadros Maia

Líder mineiro: Quadros Maia

Até 1957, a associação passou por altos e baixos, destacando-se a figura de Sebastião Maurício da Silva, que dedicou grande parte do seu tempo e mesmo da sua vida em prol da categoria. Esta associação teve outras duas diretoria, sendo que em 24 de agosto de 1956 foi fundado o Sindicato de Corretores de Imóveis de Minas Gerais. De 1957 a 1967 a categoria dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais se fortaleceu, com a transformação da associação em sindicato.

Da primeira diretoria do sindicato participaram os Corretores: Alair Marques Rodrigues, Joaquim Morégola Campos, Luiz Ferreira Maia, Délcio Alves Martins, Cleto Gonçalves da Rocha e Albino Dias Duarte. Pouco mais de um mês depois, com o pedido de renúncia de Alair Marques Rodrigues, assumiu uma junta, composta por Moacyr de Moraes Miranda, Deuterônimo de Albuquerque e Cleto Gonçalves da Rocha. No dia 12 de dezembro foi realizada nova eleição, com posse da nova diretoria no dia 17 de janeiro de 1957.

A presidência da entidade ficou a cargo de Pedro Vitório Pazzanesse (1959), Sebastião Maurício da Silva (1959), José de Araújo Lima (1962-66), Luiz Myrha (1966-80, que também foi presidente do Cofeci), Antônio Quadros Maio (1983-92).

Após s fundação do Cofeci, em 1962, foi criado o Creci 5ª Região - Goiás, no dia 26 de outubro de 1962.

A história da Profissão em Goiás

Em 1948 foi fundado o Sindicato de Corretores de Imóveis de Goiás. Após os mandatos de Moisés Perotto, Antônio Jorge Azzi e Leon Borba, Elias Bufaiçal assumiu a presidência, em 1957. De imediato, nomeou uma comissão para a participação ativa na I Convenção Nacional de Corretores de Imóveis do Brasil, realizada nos dias 5 e 6 de setembro do mesmo ano, no auditório da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Integraram a comissão José Pereira de Andrade, para redigir a tese sobre assistência do Corretor nas transações imobiliárias; Antônio Jorge Azzi, para elaborar a proposição de venda dos lotes de Brasília por intermédio dos Corretores de Imóveis sindicalizados no Brasil; e Hermano Vieira da Silva, Cleomar Rizzo Esselin, Divino J. Oliveira e Orlando Moraes Lobo para elaborar um estudo sobre auto-suficiência financeira na construção e transferência da capital da República, mediante vendas credenciadas nos lotes do Distrito Federal, bem como redigirem a projeto de Regulamentação Profissional do Corretor de Imóveis.

Todos os trabalhos foram levados à I Convenção e mereceram acolhida. A proposição sobre a venda de lotes de Brasília, visando o resguardo de agentes não qualificados e sujeitos a fraudes, bem como a Regulamentação Profissional do Corretor de Imóveis foram aprovadas pela lei nº 4.116, de 27 de agosto de 1962. Este resultados se refletiram no II Congresso Nacional de Corretores de Imóveis do Brasil, em setembro de 1962, na capital paulista. Entre as delegações de quase todos os estados, compareceu Goiás. Presidiu o conclave Antônio Macuco Alves, do sindicato anfitrião.

Na ocasião, foi fundado o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 5ª Região - Goiás. A primeira diretoria, assim como a do sindicato, foi composta por Moisés Perotto (presidente), Antônio Jorge Azzi (secretário), Antônio Lisboa Machado (tesoureiro). Como suplentes: Ragy Ashcar, José de Castro e Sebastião Viana e no Conselho Fiscal Jorge Jungman, Joaquim de Faria Pereira e Fernando Costa. O Creci de Goiás abrangia além do Estado de origem, Amazonas, Pará, Maranhão e os territórios federais. Apenas em 1978, com a criação de regionais nesses Estados e territórios, é que a 5ª Região passou a atender exclusivamente o Estado de Goiás.

Elias Bufaiçal participou da fundação do Cofeci e da elaboração do seu regimento interno. Em 1993 foi agraciado com a comenda Colibri de Ouro. Outro personagem de destaque é José Arantes Costa, que por mais de 20 anos dedicou-se a categoria, trazendo um grande progresso à Regional. Costa foi ainda diretor-secretário do Cofeci, diretor para assuntos pedagógicos e também recebeu a comenda Colibri de Ouro.

 

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