Artigos

Década de 40 e 50 - Personagens de Destaque

 

José Floriano de Toledo

José Floriano de Toledo foi um dos líderes sindicais mais queridos de toda a categoria e um dos fundadores da Associação Profissional dos Corretores de Imóveis. Foi o primeiro presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo (18/2/1943 a 30/6/1952). Também destacou-se como um dos principais responsáveis pela organização da categoria - tendo fechado os acordos com o Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro - e pelo respeito que a profissão alcançou em toda a sociedade. Após deixar a presidência, passou a ser delegado do sindicato junto à Federação do Comércio do Estado de São Paulo até 1957, ano do seu falecimento.

Godofredo Handley

Típico homem de empresa, sereno e organizado. Carioca de nascimento (1893) representou o Brasil em grandes firmas estrangeiras, como a Remington, a Metro Goldwyn Mayer e a Fiat Lux. Em 1937 montou a sua imobiliária em São Paulo, tendo em vista o fantástico crescimento da cidade. Em 1955 vendia em média 343 imóveis por ano. Foi o presidente da terceira diretoria da Associação Profissional dos Corretores de Imóveis (15/2/1940 a 01/9/1942). Fez parte do Conselho Fiscal da segunda e da quarta diretoria do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, sendo suplente na sexta diretoria.

Godofredo Handley

Godofredo Handley

Washington Helou

Washington Luís José Helou iniciou sua carreira no final da década de 40, no período pós-guerra. Antes disso foi oficial da FAB, com curso nos Estados Unidos. Sua imobiliária, graças à sua dinâmica atuação, desenvolveu-se rapidamente e tinha sede, como os principais escritórios imobiliários da época, na rua Barão de Itapetininga (centro de São Paulo). Seus anúncios dominicais, sempre bem elaborados, tinham um destaque especial: no topo, ao lado do nome da empresa, eram mencionados um a um, todos os Corretores de Imóveis que com ele colaboravam. E naquela época já eram aproximadamente vinte.

Em 1955 vendia cerca de trezentos imóveis por ano, tendo atuado como intermediário em mais de 44 mil transações, desde que começou a trabalhar como Corretor de Imóveis. Foi suplente da quarta diretoria do SCIESP (sob a presidência de José Floriano de Toledo e Antônio Macuco Alves, vice). Sem dúvidas, Washington Helou foi um dos pioneiros dos lançamentos de incorporações, e por muitos anos, liderou o mercado de terceiros.

Washington Helou

Washington Helou

Antônio de Lucca

Possuía um dos escritórios mais movimentados da praça em 1955. Iniciou suas atividades no ramo em 1934. Antes de se tornar Corretor de Imóveis atuava no comércio atacadista de gêneros alimentícios. Paulista, fundou a predial De Lucca, que foi uma das empresas pioneiras na administração predial, a qual foi sucedida pela Adbens, comandada até hoje por Pedro Garaude. Vendia de 400 a 450 imóveis por ano. No Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, ocupou diversos cargos nas gestões de Floriano de Toledo e Newton Bicudo e mesmo não tendo cargos eletivos, sempre emprestou sua experiência a serviço da classe.

Antônio de Lucca

Antônio de Lucca

Waldemar Mesquita

Muito cortês, atencioso, dono de vastíssima clientela. Paulista, Waldemar Daniel da Costa Mesquita, antes de se tornar Corretor de Imóveis, dedicava-se à publicidade. Em 1954 bateu todos os recordes de transações imobiliárias, vendendo 523 imóveis. Este sucesso foi fruto de uma estratégia publicitária em seus anúncios, onde salientava a necessidade da "casa própria", apresentando apenas ofertas que julgava razoáveis. Afirmava que esta era a sua filosofia, não só por negócio, mas por convicção. Mesquita foi suplente em várias diretorias do sindicato na década de 50.

Waldemar Mesquita

Waldemar Mesquita

Foi em seu escritório que Paulo Afonso Garcia Costa iniciou suas atividades, o qual, mais tarde, por muitos anos, foi presidente do setor imobiliário da Federação do Comércio do Estado de São paulo, tendo participado de todos os projetos urbanísticos da capital paulista.

Personalidades paulistas: Também destacaram as atuações de Domingos Leardi, Francisco Carvalho, Júlio Mendes Taller, Armando Ruggiero, Waldomiro Macuco Vasconcelos, Francisco Xavier da Silva, Diogenes Cardia, Walter Ahrens, e muitos outros que, mesmo no anonimato, tanto contribuíram para que a profissão de Corretor de Imóveis fosse respeitada por toda a sociedade brasileira.

Aristhótelis Ribeiro da Silva

Em 1950, o chofer de praça, como era conhecido entre os taxistas, Aristhótelis Ribeiro da Silva ingressou na profissão de Corretor de Imóveis por obra do acaso, mas até hoje a exerce com muito orgulho. Ele se recorda que atendia as solicitações da Sociedade Profissional Gonçalense - atual SEG - para levar os interessados em comprar terrenos na região de Niterói e São Gonçalo (Rio de Janeiro). "Eu levava os clientes ao local e ficava admirando o Corretor vender aquela área, totalmente deserta, como se estivesse em outro lugar. Hoje, quando visito nesses mesmos lugares, percebo que o Corretor estava prevendo o futuro. A área se transformou numa selva de concreto, com tantas casas e prédios construídos", declara.

Como ficava observando, foi aprendendo a arte de negociar, até que um dia foi convidado pelo fundador da SEG, Amilton Chavier, para ser Agente Imobiliário. A partir daí, não parou mais. Fazenda dos Mineiros, Boa Vista, Jardim Catarina e Mutuá foram alguns bairros da cidade de São Gonçalo que ele fez nascer. Também ajudou no crescimento do Barreto, Fonseca e Ilha da Conceição, na cidade de Niterói.

O ex-chofer de praça recorda-se que a primeira coisa que aprendeu foi elaborar a Carta de Opção, que até os dias de hoje mantém como norma principal para negociar e realizar intermediações imobiliárias. " É este instrumento que garante os meus honorários, antes comissões", afirma. Esta história retrata como era o exercício da profissão antes da publicação da Lei n.º 4.116. Com a fusão dos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro, sua inscrição passou a ser de n.º 1470. "Na ocasião, pensei em brigar, reclamar, mas como não tinha tempo a perder, graças a Deus, fui muito bem recompensado com a nova inscrição, pois ela me trouxe muitas conquistas, muitas vitórias. Não me importa mais ser inscrição 201 ou 1470. O que realmente me interessa e muito me honra é ser um Corretor de Imóveis vitorioso".

Nelson Torres Galvão

Importe líder paranaense, Nelson Galvão participou dos primórdios da Associação Profissional de Corretores de Imóveis do Paraná, foi fundador do Sindicato de Corretores de Imóveis, do Conselho Federal de Corretores de Imóveis e do Creci 6ª Região/PR. Em 1952 assumiu seu primeiro cargo como secretário da associação. "Este espírito empreendedor tive desde os dezessete anos, quando fundei uma Associação dos Alfaiates, mesmo sendo um mero aprendiz".

Galvão trabalhou durante 27 anos como Corretor de Imóveis. "Sempre trabalhei com contrato de exclusividade, que chamávamos de Opção de Venda. A comissão era de 5%, e o trabalho pautado em intensa pesquisa de mercado, avaliando-se os preços de imóveis na região onde atuava", conta. Ele também teve participação de destaque na regulamentação da profissão em 1962 e 1978 e ajudou a criar o primeiro curso de formação profissional no Paraná.

Armando Simões Pires

No ano de 1945, Armando Simões Pires era tesoureiro da Companhia Portoalegrense de Transportes. No ano seguinte viu um anúncio procurando Corretores de Imóveis. Foi então que, nos seus 23 anos, decidiu abraçar a profissão, dedicando-se a ela durante toda a sua vida. "Me lembro que éramos procurados pelo cliente e buscávamos a residência para ele batendo de porta em porta. Morava em uma pensão, mas já no final de 46 consegui montar minha própria empresa, na rua General Vitorino, 344", declara.

Em 1949 fundou a Armando Simões Pires & Cia. Ltda., que até hoje existe, administrada por suas filhas, com 45 funcionários. Seu negócio ganhou expressão na década de 50, quando comprava terreno e construía pequenos edifícios, vendendo-os em seguida. Especializou-se depois na administração desses imóveis, segmento no qual continua atuando.

Em 1950 o jornal Correio do Povo aumentou bastante o valor dos anúncios classificados. Como já era sindicalizado desde 1949, organizou um movimento de boicote, e todos os Corretores passaram a anunciar na rádio Farroupilha e no Diário de Notícias. Com este movimento, conseguiu aumentar a quantidade de Corretores sindicalizados, que passou de dezenove para oitenta. Com isso, em 1952 foi indicado para a presidência da entidade. O Correio do Povo voltou atrás e passou a oferecer novamente os descontos aos Corretores. "Quando assumi, o sindicato não tinha nada, funcionava numa sala na rua José Monteiro. Dois anos depois a sede passou a ser no Palácio do Comércio. Em 1962 compramos nossa sede própria, com a ajuda do meu vice-presidente Rodi Pedro Borguetti. Lembro que pegamos dinheiro emprestado e rifamos um apartamento. Com o dinheiro arrecadado pagamos o proprietário e compramos a nossa sede".

Armando Simões Pires foi uma das maiores lideranças do mercado imobiliário do Rio Grande do Sul: foi secretário do sindicato de 1954 a 1957 e presidente novamente de 1957 a 1971. Em 1970 foi eleito presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis. Também foi presidente da Federação dos Agentes Autônomos do Comércio e diretor do Conselho Fiscal da Confederação Nacional do Comércio e conselheiro do Creci/RS por 22 anos. Simões Pires também foi o fundador do Secovi/RS, sendo presidente desta entidade de 1983 a 1989. Ele cita ainda as cinco primeiras imobiliárias de Porto Alegre: Medeiros Albuquerque Imobiliária, Auxiliadora Predial, Associação Banco de Crédito Real, Intermediária Imóvel e Armando Simões Pires Imóveis, que no dia 20 de janeiro de 1999 completa cinqüenta anos.

Rodi Pedro Borguetti

Foi graças à intervenção do amigo Armando Simões Pires que, em 1956, Rodi Pedro Borgueti começou a atuar como Corretor de Imóveis. Fundou a primeira empresa, organizada como Corretagem Tancredo de Oliveira & Cia. Ltda, depois fundou a Imobilar II Dux, Lançamentos Imobiliários (Creci PJ - nº 2).

Rodi Borguetti foi o primeiro presidente do Creci 3ª Região, RS e um dos fundadores do Cofeci. Foi reeleito oito vezes, respondendo pela presidência do Creci até 1970. "O trabalho como Corretor era difícil, conseguimos convênios com os jornais, empresas de assistência médica, e dentária, com advogados, entre outros. Mas nossa principal ação foi na área de fiscalização, onde trabalhamos para conscientizar sobre o papel do Corretor e pela moralização da profissão", afirma.

 

Anterior | Próximo

 

rodape