História do Corretor

O futuro da profissão

 

Nos anos 80 e 90 a profissão do Corretor de Imóveis foi consolidada em todo o Brasil. Foram criados 24 conselhos regionais nas principais capitais do país, responsáveis pela fiscalização do exercício profissional.

Desde o surgimento dos primeiros Corretores, o perfil dos profissionais mudou bastante. Com a alteração introduzida por Clineu Rocha, acabando com a Opção de Venda, e com a crescente urbanização das cidades brasileiras, aumentando o número de profissionais atuando no mercado, o perfil do profissional também foi alterado. A figura do Corretor da família foi ficando cada vez mais rara e a competitividade no mercado de trabalho acabou desunindo a categoria. Mas, qual o futuro da profissão? Após tanta luta pela regulamentação, qual o papel dos sindicatos e dos Conselhos Federal e Regionais de Corretores de Imóveis?

O próprio mercado acabou dando a resposta a essa perguntas. Com a difusão da informática e o aumento do nível de exigência por parte dos clientes, passou a ser exigida uma nova postura dos profissionais.

A prestação de serviços e o apoio na realização do melhor negócio ganharam destaque entre as principais características da profissão. O trabalho do Corretor do século XX e do ano 2000 não se restringe mais à comercialização de imóveis. Em tempos de informática e alta velocidade na transmissão de informações, para ser bem-sucedido e conquistar a confiança do cliente é necessário estar bem preparado.

A competitividade do mercado de trabalho leva o cliente a escolher o profissional melhor preparado. O acesso a todo o tipo de informação fornece melhores subsídios para a avaliação de imóveis e para desenvolvimento de um trabalho de qualidade. Com isso, o Corretor passa a agir como um consultor, assessorando o cliente em todas as fases da comercialização do imóvel.

A participação do Corretor também é valiosa na averiguação dos aspectos legais envolvidos na transação, como a aprovação da planta pela Prefeitura, a inexistência de planos de desapropriação, a regularização do titular do imóvel etc. A parte contratual também exige uma grande atenção. É importante certificar-se sobre a qualificação completa do proprietário, a descrição detalhada do imóvel e a declaração da inexistência de débitos, entre outros.

Se o imóvel for vendido na planta, o consultor deve averiguar todos os dados sobre a construtora (idoneidade), sua aprovação pelo órgão competente (número de alvará) e o contrato (inexistência de parcelas intermediárias além das determinadas pelo contrato). Todas as informações e o trabalho de investigação são muito importantes para a conclusão do negócio, mas o trabalho do Consultor Imobiliário não termina com a assinatura do contrato. O Corretor também deve estar presente na entrega do imóvel, verificando a qualidade da obra e se foram realizadas as benfeitorias descritas no contrato.

A volta da Opção

Considerando a necessidade de oferecer aos pretendentes das ofertas imobiliárias anunciadas a segurança de que, ao procurarem o anunciante, este realmente disponha da autorização exclusiva para a sua intermediação; e que a divulgação pública por diversos profissionais e imobiliárias do mesmo imóvel gera confusão no mercado, insegurança e desconfiança aos seus pretendentes, a diretoria do Cofeci e seus conselheiros federais aprovaram, em novembro de 1995, a Resolução nº 458/95.

Com esta resolução, somente pode anunciar publicamente o Corretor (pessoa física) ou Imobiliária (pessoa jurídica) que tiver, com exclusividade, contrato escrito de intermediação. Nos anúncios e impressos deverá constar o número de inscrição precedido da sigla Creci, acrescido da letra J quando se tratar de pessoa jurídica.

Esta resolução ocasionou uma revolução no mercado imobiliário, estabelecendo um novo relacionamento entre proprietário, corretores e clientes. Mas sua adoção também é importante porque possibilita a informatização da comercialização de imóveis.

A adoção do contrato de exclusividade passa a ter sentido quando toda a oferta de imóveis está reunida em um banco de dados informatizado. Deixa de ter sentido colocar um imóvel à venda ou para locação em diversas imobiliárias, ou sob a responsabilidade de vários corretores, sem que nenhum deles se responsabilize de fato pelo imóvel ou possa investir com segurança na sua divulgação. Quando este imóvel passa a fazer parte de um banco de dados, consultado por milhares de profissionais, com a avaliação do corretor de confiança, a Opção de Venda passa, então, a representar um serviço de melhor qualidade ao cliente.

Waldyr Luciano, presidente do Cofeci, acredita que a grande mudança cultural está na adoção de uma nova postura por parte dos profissionais. Com a obrigatoriedade do contrato escrito, dando exclusividade para um único corretor ou empresa para a intermediação imobiliária, o cliente passa a escolher com critérios mais rigorosos seu agente. Ele só poderá escolher uma imobiliária ou corretor e com certeza vai procurar o mais capacitado. Além disso, terá à sua disposição uma rede informatizada, onde seu imóvel também será trabalhado por outros profissionais.

Os sistemas informatizados de venda e aluguel

O computador passa a ser o principal instrumento do Corretor de Imóveis. De posse da Opção de Venda (Autorização de Venda), o profissional coloca o imóvel em um banco de dados informatizado. Apenas Corretores e imobiliárias credenciadas no Creci têm acesso ao programa.

Em São Paulo, o Creci e o Sindicato uniram forças e criaram a Central de Operações Imobiliárias (COI). Inaugurada no dia 24 de abril de 1997, no Palácio de Convenções do Anhembi (São Paulo), sua operacionalização foi possível após mais de 40 mil horas de testes. Todo esse tempo investido teve o objetivo de dar maior segurança ao Corretor de Imóveis e ao seu cliente na transação imobiliária, no que diz respeito à integridade do sistema, comissionamento e serviços agregados. Seu funcionamento é feito via Internet, o que barateou os custos e trouxe diversas vantagens ao sistema.

Cada hora de consulta (que representa entre três e quatro horas de uso do computador) custa em média R$ 2,60 ao usuário. Para que o Corretor ou imobiliária tenha total segurança são inseridos no sistema apenas imóveis para os quais o Corretor tenha a Opção de Venda. O proprietário é cadastrado pelo seu CPF, sendo possível verificar de que forma se deu a conclusão do negócio e a partilha da comissão.

Quando a venda ou locação do imóvel é feita pela Central de Operações Imobiliárias, a comissão é dividida igualmente entre o profissional que tem a Opção de Venda (captador) e o que apresentou o imóvel ao seu comprador/locador.

Vantagens da informatização

A inclusão do imóvel em um sistema informatizado pode ser utilizado pelo Corretor de Imóveis como uma prova jurídica da sua participação ou da sua empresa na transação imobiliária. Até o final de 1996, dados do Cofeci indicam que 80% das transações imobiliárias são feitas sem a presença do Corretor de Imóveis, e quando o profissional investe seu tempo e conhecimento, muitas vezes não recebe a comissão a que tem direito, por não ter como comprovar sua participação na concretização do negócio.

Por intermédio de convênios firmados com empresas, cartórios e outras atividades ligadas à corretagem de imóveis, os Corretores/imobiliárias credenciadas à COI têm acesso a diversos serviços e vantagens que poderão ser repassadas aos clientes, valorizando o seu trabalho. "Unidos somos uma categoria forte. Diversos empresários perceberam isso e querem participar do nosso sistema", afirma Roberto Capuano, presidente do Creci 2ª Região/SP e diretor para assuntos habitacionais do Cofeci.

Um convênio, por exemplo, foi firmado com a IBM, que passou a oferecer um financiamento especial aos Corretores de Imóveis para a compra de um microcomputador Pentium, por um preço abaixo do mercado, podendo ser pago em pequenas parcelas mensais.

O Corretor pode acessar, via Internet, o Cartório de Registro de Imóveis, tirando a Certidão Negativa do Imóvel em sua casa ou escritório. Ele também poderá oferecer financiamento imobiliário ao seu cliente, seguro do imóvel, transporte da mudança, entre outros serviços.

Com este sistema, o Corretor passa a assessorar o cliente de forma completa , com rapidez e segurança. Entretanto, sua capacidade técnica, ao avaliar o imóvel de forma competente é o principal serviço oferecido. É a garantia do melhor negócio para o cliente.

Conselhos de fiscalização profissional ganham autonomia

Desde o dia 10 de outubro de 1997 os conselhos de fiscalização profissional perderam o vínculo com a administração pública. Esta alteração foi provocada pela edição da Medida Provisória n.º 1.549/35, de 9/10/97, que dispõe sobre a organização da presidência da República e dos ministérios e dá outras providências. A medida foi reeditada no dia 7 de novembro (n.º 1.549/36) e transformada na Lei nº 9.649 em 27 de maio de 1998.

Com esta lei o governo federal dá liberdade ao gerenciamento dos conselhos e também tira da administração federal a fiscalização sobre essas entidades. Além de ser um volume pequeno, a receita é constituída unicamente por contribuições dos profissionais inscritos. Segundo fontes do Ministério do Trabalho, apesar de terem um volume de arrecadação pequeno, correspondente a menos de 0,2% do total a ser fiscalizado, ocupava cerca de 80% do efetivo da Siset (Secretaria de Controle Interno).

Da esq. para a dir. Moacyr Pasin, Newton M. Barbosa, Waldyr Luciano   e João Teodoro

Da esq. para a dir. Moacyr Pasin, Newton M. Barbosa, Waldyr Luciano e João Teodoro

O artigo 58 estabelece que os serviços de fiscalização de profissões regulamentadas serão exercidos em caráter privado, por delegação do poder público, mediante autorização legislativa. Altera, portanto, o artigo 5º da Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, que definia o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) e os Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (Crecis) como autarquias dotadas de personalidade jurídica de direito público, vinculadas ao Ministério do Trabalho, com autonomia administrativa, operacional e financeira.

De acordo com o artigo 58, os conselhos de fiscalização, dotados de personalidade jurídica de direito privado, não manterão qualquer vínculo funcional ou hierárquico com os órgãos de administração pública. O controle das atividades financeiras e administrativas passam a ser realizados exclusivamente pelos órgãos internos de controle. Os Crecis irão prestar contas ao Cofeci, que por intermédio de uma plenária determinará e disciplinará a sua estrutura e funcionamento. "Esta decisão amplia ainda mais a responsabilidade da diretoria e Plenária do Cofeci, que serão ainda mais rigorosas na verificação da prestação de contas dos Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis", afirma Waldyr Luciano, presidente do Cofeci.

Já seguindo a determinação da lei, durante a reunião plenária, realizada em Belo Horizonte (MG), nos dias 25 e 26 de junho de 1998, os conselheiros federais aprovaram o Regimento Interno do Cofeci e dos Crecis. Para a tarefa de um estudo completo do antigo estatuto e adaptação às novas determinações foi nomeada uma diretoria executiva do Cofeci, assessorada pelos conselheiros federais Newton Marques Barbosa (MG), Tibiriçá Botto Guimarães (PR) e Moacyr Pasin (SC).

Lei nº 9.649, de 27 de maio de 1998

Dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios e dá outras providências

Art. 58: Os serviços de fiscalização de profissões regulamentadas serão exercidos em caráter privado, por delegação do poder público, mediante autorização legislativa.

§1º - A organização, a estrutura e o funcionamento dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas serão disciplinados mediante decisão do plenário do Conselho Federal da respectiva profissão, garantindo-se que na composição deste estejam representados todos os seus conselhos regionais.

§2º - Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas, dotados de personalidade jurídica de direito privado, não manterão com os órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico.

§3º - Os empregados dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são regidos pela legislação trabalhista, sendo vedada qualquer forma de transposição, transferência ou deslocamento para o quadro da Administração Pública direta ou indireta.

§4º - Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são autorizados a fixar, cobrar e executar as contribuições anuais devidas por pessoas físicas e jurídicas, bem como preços de serviços e multas, que constituirão receitas próprias, considerando-se título executivo extrajudicial a certidão relativa aos créditos decorrentes.

§5º - O controle das atividades financeiras e administrativas dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas será realizado pelos seus órgãos internos de controle, devendo os conselhos regionais prestar contas, anualmente, ao conselho federal da respectiva profissão, e este aos conselhos regionais.

§6º - Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas, por constituírem serviço público, gozam de imunidade tributária total em relação aos seus bens, rendas e serviços.

§7º - Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas promoverão até o dia 30 de junho de 1998 a adaptação de seus regimentos ao estabelecido neste artigo.

§8º - Compete à Justiça Federal a apreciação das controvérsias que envolvam os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas, quando no exercício dos serviços a eles delegados, conforme disposto no caput.

§9º - O disposto neste artigo não se aplica à entidade de que trata a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.

Plenárias Históricas em Belo Horizonte comemoram autonomia do Cofeci

Nos dias 7 e 8 de novembro de 1997 os conselheiros federais estiveram reunidos em Belo Horizonte para a realização da última plenária de 1997. O ano não poderia ser fechado de maneira melhor, com a aprovação da Resolução nº 549/97, que regulamenta a Medida Provisória n.º 549/36. Além desta, também foram apreciadas outras importantes resoluções para o futuro da categoria dos Corretores de Imóveis. A mesma cidade também foi escolhida para a plenária de 25 e 26 de junho, que aprovou o estatuto e regimento do Cofeci e dos Crecis.

Conselheiros Federais presentes na Plenária de Belo Horizonte que   aprovou o Estatuto e Regimento do Cofeci e dos Crecis

Conselheiros Federais presentes na Plenária de Belo Horizonte que aprovou o Estatuto e Regimento do Cofeci e dos Crecis

 

Anterior | Próximo

O Estadão e o Corretor

 

A relação entre a categoria dos Corretores de Imóveis e o jornal O Estado de S. Paulo é quase tão antiga quanto a fundação da categoria. Desde os primeiros anos da criação do Sindicato de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (SCIESP), eram fechados acordos altamente favoráveis aos Corretores sindicalizados, nos anúncios do jornal. E dentre todos os veículos O Estado de S. Paulo era considerado o jornal de maior expressão no mercado imobiliário.

Em decorrência dessa relação os corretores foram beneficiados com a doação de uma biblioteca pelo Estadão.

O Estado de S. Paulo de 20/10/1994, falando sobre o sucesso da   parceria entre o jornal e os Corretores de Imóveis

O Estado de S. Paulo de 20/10/1994, falando sobre o sucesso da parceria entre o jornal e os Corretores de Imóveis

O Estado de S. Paulo de 20/10/1994, falando sobre o sucesso da   parceria entre o jornal e os Corretores de Imóveis O Estado de S. Paulo de 20/10/1994, falando sobre o sucesso da   parceria entre o jornal e os Corretores de Imóveis

No dia 2 de outubro de 1994, numa parceria entre o Creci 2ª Região/SP e o O Estado de S. Paulo, foi iniciada uma campanha de valorização da profissão do Corretor de Imóveis, por meio de outdoors e anúncios no jornal destacando o papel do profissional.

O tema central da campanha, conforme declaração do gerente de marketing do Estado foi: Consultar um Corretor de Imóveis é sempre um bom negócio. Para passar esta mensagem foram publicados nove anúncios no jornal, além do envio de malas-diretas aos agentes de mercado imobiliário e outdoors em pontos estratégicos. O binômio Corretor/Estado é parte importante dos bons resultados do mercado e, por isso, não poderíamos deixar de estar ao lado deles num momento de sucesso, disse Marcos Nogueira de Sá, diretor-adjunto de classificados do Estado em 1994. Essa relação, segundo ele, traduz-se, para o consumidor, em dois serviços complementares: o consumidor coleta ofertas por meio dos anúncios publicados no jornal e depois, no estande, é atendido pelo Corretor, que o apresentará ao imóvel à venda. Essa transação é muito especial, já que a compra do imóvel é uma decisão muito séria para o cidadão médio e, durante sua vida, poucas vezes a fará.

Nogueira ressaltou que a campanha pretendia valorizar o profissional de corretagem imobiliária credenciado, ou seja, que tem habilitação para exercer a profissão após a conclusão do curso Técnico em Transações Imobiliárias. "Essa é a garantia para o consumidor de que as informações são passadas com conhecimento e correção", disse Nogueira de Sá. Uma das frases da campanha traduzia esta condição: "Só um louco faz um investimento acima de US$ 30 mil sem ouvir um especialista". Outras das frases criadas referiam-se à opção de o interessado pesquisar as ofertas sozinho: "É quase impossível sair lucrando num negócio em que você não é do ramo".

Roberto Capuano, presidente do Creci/SP considerou extremamente oportuna a campanha criada pelo O Estado de S. Paulo e disse que o momento era extremamente favorável devido ao crescimento do mercado imobiliário.

Também foram realizadas outras campanhas pelo jornal nas décadas de 70 e 80, entretanto a que despertou maior interesse foi realizada em 1994, por ser a que fala diretamente sobre o profissional. O interesse foi tão grande que os Corretores transformaram os cartazes distribuídos pelo jornal em quadros e colocaram nas suas imobiliárias. O jornal O Estado de S. Paulo distribuiu mais de 36 mil malas-diretas - posteres.

A parceria entre o Estadão e os Corretores de Imóveis continua, com o apoio à Central de Operações Imobiliárias - COI, inaugurada em 24 de abril de 1997 e considerada um marco de modernidade para a profissão.

Os Corretores de Imóveis que participarem do sistema terão vantagens exclusivas, como a facilidade em anunciar nos Classificados, utilizando a própria tela de serviços da COI.

Também foram preparadas peças publicitárias, que serão veiculadas no jornal e nas emissoras de televisão, valorizando a exclusividade de vendas, a central e a própria atividade profissional.

Campanha pela Exclusividade

Creci 2ª Região fecha acordo com os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de São Paulo para publicação de anúncios em prol da adoção do contrato de exclusividade.

Comercializar o imóvel por meio do contrato escrito, dando exclusividade para uma única imobiliária ou Corretor de Imóveis, conforme determina a Resolução nº 458/95 do Cofeci, já é uma realidade em São Paulo. Prática adotada por 100% dos profissionais paranaenses, na capital paulista e nos demais Estados brasileiros, o índice de adesão já atinge 85%.

Após uma intensa campanha de esclarecimento, o Creci 2ª Região/SP deu início a uma verdadeira operação de guerra, multando todos aqueles que anunciassem sem o contrato de exclusividade. Algumas empresas protestaram, mas a maioria aprovou a atuação do conselho, verificando que estava sendo cumprida uma determinação que beneficia toda a categoria. Aos poucos, a "Opção de Venda", como é carinhosamente chamada pelos Corretores mais antigos, foi se tornando comum. Grandes empresas, como a Coelho da Fonseca, Lopes, Leardi, Camargo Dias, Mappin e Kauffmann passaram a incluir frases em prol da exclusividade em seus anúncios.

Parceria

O jornal O Estado de S. Paulo fechou um acordo de colaboração com o Creci 2ª Região/SP pelo qual estão sendo publicadas, gratuitamente, sessenta páginas inteiras, esclarecendo e incentivando a população a assinar o contrato de exclusividade para a comercialização de imóveis. A Folha de S. Paulo também aderiu à campanha. "Caso fôssemos pagar por este espaço, o Creci teria um custo de R$ 2 a R$ 3 milhões. O apoio dos dois jornais mais importantes do país mostra que, apesar de aparentemente os interesses comerciais e a exclusividade parecerem antagônicos, existe um consenso de que este é o futuro do mercado imobiliário", explica Capuano.

Esta opinião é compartilhada por Marcos Nogueira de Sá, diretor comercial do grupo Estado. "Nossa parceria com o Creci e o Sindicato é antiga. Nos últimos cinco anos vínhamos acompanhando as discussões sobre a exclusividade. Após a aprovação da resolução do Cofeci, tornando-a obrigatória, passamos a realizar diversas ações em sua defesa", explica Marcos. Ele acredita que esta medida vai organizar melhor o mercado, trazer maior dedicação na comercialização do imóvel por parte das imobiliárias e dos Corretores e também maior segurança na sua divulgação.

O texto do anúncio foi elaborado pela diretoria do Creci. Seu objetivo é mostrar que ao convidar diversas imobiliárias e Corretores, na verdade o consumidor está se enganando. Que a oferta múltipla é negativa e desvaloriza o patrimônio, confirma Capuano. Os primeiros resultados já começam a surgir, com a adesão em massa dos pequenos e médios empresários. Percebemos que a não-adoção acontece apenas entre aqueles que não trabalham com seriedade, finaliza.

 

Anterior | Próximo

Anos 80 e 90: Profissão Solidificada e Reconhecimento

 

Após a assinatura da Lei nº 6.530/78, os membros da diretoria do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) e os conselheiros federais reuniram-se para estabelecer as normas previstas na lei, como a Resolução nº 05/78, que define critérios para o contrato-padrão, considerando que o relacionamento entre o profissional e o cliente deve ser resguardado por instrumento contratual. Em seguida foram determinados, pela Resolução n.º 13/78, os atos administrativos dos Conselhos Federal e Regionais de Corretores de Imóveis, e pela Resolução n.º 17/78, o modelo de carteira e cédula de identidade profissional.

Em 1979, entre as resoluções do Cofeci destacaram a de nº 27/79, que dispõe sobre o Certificado de Inscrição de pessoa jurídica; a de nº 28/79, que dispõe sobre anúncio para a alienação de imóveis (resgatando a opção de venda); a resolução nº 32/79, que dispõe sobre a intervenção nos Crecis.

Os anos 80 foram marcados pela solidificação e organização da profissão de Corretor de Imóveis em todo o Brasil. Nos Estados onde ainda não existiam Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis, e que foram fundados em 1978, houve a necessidade de organizar a atividade de fiscalização, trazendo para essas regiões as técnicas e conhecimentos utilizados em outros Estados. Também foram criados cursos para a formação de Técnicos em Transações Imobiliárias, e, em alguns Estados, cursos supletivos, complementando a formação daqueles que já tinham completado o segundo grau.

Colibris de Ouro e de Prata

Em 1981, o Cofeci estabeleceu como símbolo dos Corretores de Imóveis o Colibri "Glaucis hirsuta" (resolução 126/81, assinada por Aref Assereuy) e criou a medalha do mérito do Corretor de Imóveis, além de instituir o registro de mérito "ad perpetuam rei memoriam", em um livro especial. Esta foi a maneira encontrada para reconhecer e estimular o mérito de profissionais da intermediação imobiliária, bem como personalidades e instituições, nacionais e estrangeiras, pelos serviços relevantes serviços prestados à classe.

A análise da escolha dos nomes é feita por quatro membros da Comissão de Mérito. O livro do mérito foi aberto com os nomes do ministro Arnaldo da Costa Prieto, patrono da classe, dos ex-presidentes do Cofeci, de seus fundadores e de Corretores já falecidos, cuja ação em vida possa enquadrar-se no espírito desta homenagem.

Entre os profissionais homenageados com o título Colibri de Ouro, estão: Arnaldo da Costa Prieto, Antônio Macuco Alves, Armando Simões Pires, Luiz Mirra, Newton Bicudo, Rubens Coelho, Lúcio Monteiro da Cruz, Roberto Irineu Marinho, José Aparecido de Oliveira (ex-governador do Distrito Federal, ex-ministro da Cultura e ex-embaixador do Brasil em Portugal), Edmundo Carlos Freitas Xavier, Aref Assreuy, Plínio Gonzaga, Elias Bufaiçal, Ivenaldo da Silva Figueiredo, Antônio Benedicto Gomes Carneiro, José Arantes Costa eWaldyr Luciano.

O presidente das Organizações Globo, jornalista Roberto Marinho, foi a sétima pessoa a receber o título Colibri de Ouro. Ele foi o paraninfo de uma turma de 350 novos Corretores de Imóveis e de 35 novas imobiliárias em uma cerimônia realizada pelo Creci 1ª Região/RJ, em uma solenidade realizada no auditório do jornal O Globo, no dia 21 de julho de 1983. "O expressivo número de novos profissionais, os quais, para gozarem o privilégio do reconhecimento legal de suas atividades, se submeteram a um processo de preparação de alto nível, coloca em relevo a importância desta atividade em nosso meio, que lhe oferece campo, mas ao mesmo tempo lhe exige responsabilidades", disse Roberto Marinho em seu discurso.

Hoje, o aumento da complexidade das transações imobiliárias, a aceleração dos processos de mudança social, as dificuldades oriundas dos fenômenos de urbanização, gerando flutuações muito rápidas, mais e mais estão a requerer destes Técnicos em Transações Imobiliárias formação competente e informação atualizada. Justificam-se, pois, os cuidados rigorosos na outorga deste diploma profissional, confirmou.

Roberto Marinho mostra a placa comemorativa gravada a laser

Nessa cerimônia, foi outorgado a Roberto Marinho o título de Corretor Honorário. A condição de Corretor Honorário e de paraninfo desta turma certamente representa o melhor galardão que me oferecem. Recebo-os como estímulo vigoroso. Quero continuar lutando pela classe, hoje enriquecida com o ingresso de contingente de tamanha expressão. O mercado imobiliário é o reflexo da grandeza de um país e das suas cidades. Estou certo de que, em breve, com a ajuda dos senhores, as nossas cidades terão um novo dinamismo na parte da construção e de embelezamento, um métier tão importante para a vida das nossas cidades, finalizou.

Colibri de Prata

A Resolução Cofeci nº 126-A/91 criou a medalha do mérito (Prata) e o diploma do Corretor de Imóveis e instituiu o registro "ad perpetuam rei memoriam", em livro especial, com objetivo de homenagear todos aqueles que prestam relevantes serviços à classe. Entre os que podem ser agraciados com esta homenagem, estão os conselheiros efetivos junto ao Plenário do Cofeci, após o terceiro mandato, bem como os ex-presidentes dos Crecis.

Anos de crise

A crise de 1982 a 1984 no mercado imobiliário afastou da corretagem de imóveis entre 30% e 45% dos profissionais no Estado de São Paulo. Além disso, reduziu significativamente seus ganhos, provenientes apenas das comissões de venda.

Esta crise do mercado foi provocada em grande parte por uma outra, a do Sistema Financeiro da Habitação. Os mutuários não conseguiam pagar o valor das prestações, extremamente elevadas, em comparação com a política salarial adotada. Não conseguiam repassar os imóveis porque o saldo devedor era muito superior ao seu valor no mercado. Em 1985, a situação chegou a um ponto tão crítico que os Corretores de Imóveis, reunidos no XIII Congresso Nacional da categoria, em Porto Alegre, afirmaram, em um documento intitulado "Carta de Porto Alegre", que as pessoas estavam simplesmente deixando de pagar sua prestações ao BNH.

Na "Carta de Porto Alegre" os Corretores diziam que o tripé que servia de sustentação ao SFH - poupança, FGTS e retorno das prestações - estava seriamente ameaçado, e que os responsáveis pela inadimplência generalizada eram o empobrecimento dos mutuários e as altas taxas praticadas pelos agentes financeiros. Na carta, apontavam como solução que o BNH retornasse definitivamente à sua condição original de carreador de recursos para o SFH. Como medidas possíveis para evitar o agravamento da situação, sugeriram que a equivalência salarial beneficiasse os novos mutuários, sendo estendida a todos, com retroatividade a julho de 1983.

Uma outra tese aprovada durante o XIII Congresso Nacional de Corretores de Imóveis do Brasil foi a que propunha a mudança no enquadramento sindical da categoria. Os Corretores pretendiam alterar sua condição de agentes autônomos para profissionais liberais, passando, com isso, a cobrar honorários por seu trabalho, em vez de receber comissões. Essa mudança possibilitaria, ainda, a criação da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis, reunindo 21 sindicatos em todo o Brasil e congregando cerca de 120 mil profissionais.

Outras duas teses foram aprovadas no Congresso em Porto Alegre, uma delas demonstrando que não existe lucro na venda de imóveis feita por pessoa física, sendo, por isso, ilegal a cobrança de Imposto de Renda sobre a diferença do valor da compra e da venda.

 

Anterior | Próximo

Personagens dos anos 80 e 90

 

Na liderança da categoria, destacaram-se personagens como Waldyr Luciano e João Roberto Malta, seja pelas memoráveis conquistas, seja pela compra da nova sede do Creci/SP e SCIESP, e em especial de Waldyr Luciano pela liderança frente ao Cofeci até a data da publicação deste livro.

Por outro lado, estão os "donos da receita de vender imóveis", ases da corretagem que comandam o mercado imobiliário de São Paulo. Uma matéria publicada pela revista Veja, em 1º de outubro de 1986, destacava a venda de seiscentas casas e apartamentos na cidade de São Paulo por dia, resultando em um montante que seria suficiente para o pagamento do serviço da dívida externa brasileira:

Uma máquina formidável que produz compras e vendas no setor imobiliário, onde trabalham mais de 200 mil pessoas na edificação de novos prédios, algo como a população de uma cidade de porte como Bauru (região oeste do Estado de São Paulo). Na outra ponta do sistema, perto do comprador, atua uma rede de 3460 empresas envolvidas no negócio da administração e venda de imóveis. São eles, os corretores, e sobretudo os magnatas que empregam os responsáveis pelo fechamento da cadeia iniciada nas fundações de um edifício e encerrada com um cheque preenchido pelo comprador satisfeito. Os grandes nomes da corretagem estão contribuindo para alterar a fisionomia de São Paulo ao mesmo tempo em que fazem girar o produto, o imóvel, que experimentou um índice de valorização de 50% em 1986 e deu um impulso decisivo na construção civil.

Waldyr Luciano

Waldyr Francisco Luciano começou sua atividade na corretagem de imóveis em 20/8/1959, na Praça da Liberdade (região central da cidade de São Paulo), trabalhando na Imobiliária Clineu Rocha como promotor de vendas. Nesta empresa atuou até 1966, tendo batido recordes de obtenção de autorizações de vendas. Luciano "tirava", em média, quarenta opções de venda por mês. Procurava por imóveis que tivessem faixa de preço compatível com o perfil dos clientes que visitavam a imobiliária.

Roberto Marinho mostra a placa comemorativa gravada a laser

Waldyr Luciano
Presidente do Cofeci até o ano 2000

A escolha desta imobiliária não poderia ser diferente pois todos os Corretores na época sonhavam em trabalhar para a Clineu Rocha. No início dos anos 60, esta imobiliária era a maior anunciante de imóveis classificados do Estado de São Paulo, e certamente de todo o país. Clineu Rocha transformou o mercado imobiliário. Numa época em que poucos possuiam automóveis e as maiores imobiliárias estavam localizadas no centro de São Paulo, o Corretor trabalhava com a Opção de Venda até a concretização da compra, recorda-se Waldyr Luciano.

A atuação de destaque na imobiliária de Clineu Rocha fez com ele fosse convidado por Gilberto Nascimento a trabalhar na sua empresa como gerente. Anos depois foi contratado pelo Escritório Ofal - Ofasa, como gerente geral. Estas empresas eram as Imobiliárias de maior porte na cidade de São Paulo na época. Em todas elas Waldyr Luciano teve atuação de destaque. A experiência adquirida o levou a administrar seu próprio negócio: no dia 16 de fevereiro de 1971 abria a Waldyr Luciano Imóveis.

Seu interesse pelo mercado imobiliário foi ampliado pela participaçãona maioria dos congressos de Corretores de Imóveis do Brasil e em alguns no exterior, como o II Congresso Nacional de Agentes de La Propriedad Imobiliária em Madrid, em companhia de Rubens Coelho, e o Congresso Realizado pela Fiabci em Jerusalém.

Entretanto, uma visita aos Estados Unidos em 76, representou um dos maiores divisores da carreira. Nesse país Waldyr Luciano conheceu uma nova maneira de atuação no mercado imobiliário. Todos os Corretores de Imóveis estavam ligados a uma Associação, ainda não informatizada mas extremamente eficiente. Esta entidade funcionava como um grande banco de dados, com toda a oferta de imóveis. Por meio de consultas ao cadastro, os Corretores poderiam escolher, entre as ofertas, aquela que melhor atendesse as necessidades de seu cliente. Fiquei impressionado com esta organização, imaginando como poderia funcionar no Brasil. Em função da dimensão do nosso mercado, da pouca difusão da informática e da diferença de perfil da profissão, naquele momento ainda não teríamos condições de implantar este tipo de sistema no Brasil, comenta Luciano.

Esta experiência foi muito importante. Com o crescimento dos sistemas informatizados de venda no Brasil, Waldyr Luciano foi um dos primeiros empresários e líderes da categoria a apoiar sistemas que unissem todas as ofertas em um único banco de dados, como aquele norte-americano que teve a oportunidade de conhecer na década de 70.

Idéias e Resultados

Waldyr Luciano foi eleito primeiro tesoureiro do Creci 2ª Região/SP de 1976 a 1978 (gestão de Antônio Benedito Gomes Carneiro), sendo eleito presidente da entidade na gestão seguinte (1978-82) e reeleito (1982-85). Uma das maiores contribuições para a categoria, em São Paulo, foi o trabalho em prol da compra do Edifício do Corretor de Imóveis, em parceria com o SCIESP.

A compra do edifício do Creci foi o resultado de uma importante estratégia, que teve um de seus momentos mais marcantes na plenária de Manaus. O Creci de São Paulo não contava com o apoio da Diretoria do Cofeci, presidida na época por Areff, para a compra de sua nova sede. Entretanto, essa plenária foi favorável à compra. Isto só foi possível após longas horas de conversas com cada um dos conselheiros, mostrando e comprovando as vantagens da aquisição do imóvel. "Nada mais fiz que colocar na prática minha experiência como Corretor de Imóveis", relembra.

No ano seguinte à conclusão de seu segundo mandato no Creci/SP, Waldyr Luciano assumiu a presidência do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), sendo reeleito por quatro mandatos consecutivos. Sua gestão no Cofeci pode ser considerada uma das mais importantes para toda a categoria, em diversos ramos de atuação. Destaca-se sua preocupação com a valorização da atividade do Corretor, por meio da edição de Resoluções como a de nº 458/95, que dispõe sobre a obrigatoriedade do registro profissional em documentos e anúncios publicitários e também sobre número do registro ou incorporação imobiliária, por exemplo.

Luciano apoiou a realização de diversos seminários e congressos, contribuindo para a melhoria da formação profissional. Na sua gestão, também foi editado por duas vezes o livro de Legislação do Cofeci, contendo as resoluções e leis mais importantes para toda a categoria. Na sua segunda edição o livro também foi publicado em forma de fichário, possibilitando a sua atualização com a publicação de novas resoluções, sem que haja a necessidade de uma terceira edição.

Waldyr Luciano também participou de outras entidades, sempre defendendo a causa do Corretor de Imóveis. Foi diretor quarto secretário do Centro do Comércio do Estado de São Paulo (1981 a 1983) e sexto vice-presidente (1984 a 1986), além de sócio titular da Câmara de Valores Imobiliários.

Gestão ativa

Nas gestões de Waldyr Luciano, como presidente do Cofeci, foi criado o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Tocantins - Creci 25ª Região. Importantes resoluções para o futuro da categoria são outro destaque:

A Resolução nº 273/90 (341/92): criou a figura do estagiário e seu registro junto aos Crecis;

  • A Resolução nº 325/92 - Criou os Crecicon - juntas conciliatórias com o objetivo de buscar soluções imediatas e acordos entre o Corretor e o cliente, ou outras partes em conflito, antes da formalização do processo disciplinar;
  • A Resolução nº 126-A/01 - Criou a "medalha de prata" para agraciamento de conselheiros federais efetivos após o terceiro mandato e de todos os ex-presidentes dos Crecis;
  • A Resolução nº 335/92 - Criou o anel símbolo do Corretor de Imóveis;
  • A Resolução nº 449/95 - Possibilitou a concessão da comenda Colibri de Ouro a dirigentes na ativa;
  • A Resolução nº 457/95 - Instituiu o Recadastramento Nacional dos Corretores de Imóveis, com a finalidade de conhecer o número exato de Corretores na ativa e fortalecer a fiscalização do exercício profissional;
  • A Resolução nº 258/95 - Instituiu a obrigatoriedade de contrato escrito de intermediação imobiliária, com exclusividade. Ou seja, somente um Corretor ou imobiliária pode ser autorizado pelo proprietário a comercializar seu imóvel ou anunciá-lo publicamente.

Melhor atendimento ao Corretor de Imóveis

A gestão de Waldyr Luciano pode ser considerada como a que mais investiu na modernização das sedes dos Crecis e no atendimento aos Corretores de Imóveis. Os conselhos regionais são estruturados. A maioria deles recebeu auxílio para a compra de terrenos, construção ou reforma dos regionais. A mais nova sede é o Creci Piauí, inaugurada em novembro de 1998.

  1. Creci 7ª Região/PE - recebeu empréstimo para adquirir sua nova sede, com 380 m² de área construída, saindo de duas salas do centro de Recife, local congestionado, para uma ampla residência localizada em um bairro nobre da cidade, com instalações condizentes, garagem, estacionamento e terreno para futura ampliação.
  2. Creci 8ª Região/DF - o presidente Luiz Carlos Attié recebeu auxílio financeiro para adquirir uma excelente sede, com cerca de 1.927 m² (segunda maior sede de Creci do Brasil), localizada no quarto andar do Edifício CONIC (mesmo prédio onde está sediado o Cofeci).
  3. O Creci 9ª Região saiu de uma sede alugada, acanhada, para uma ampla residência de dois andares, com aproximadamente 360 m² de área construída, localizada em um bairro nobre e próximo ao centro (de fácil acesso). A sede foi adquirida em 1992.
  4. Creci 11ª Região/SC - o presidente interino Curt Antônio Beims, devido ao pedido de licença do titular, Celso Pereira Raimundo, adquiriu mais um andar contíguo à sede antiga, duplicando a área da sede anterior. O Cofeci emprestou parte dos recursos.
  5. O Creci 14ª Região/MS recebeu um empréstimo, concedido ao presidente Carlos Roberto de Figueiredo Gonçalves - Charles, uma das que mais construiu uma das mais belas sedes entre os Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis, com três andares, fonte luminosa e cascata, amplo e moderno auditório inclinado, equipado com toda a tecnologia eletrônica, local para reuniões, festividades etc.
  6. Creci 15ª Região/CE - o Cofeci auxiliou na reforma de sede antiga, localizada no bairro nobre de Aldeota, em Fortaleza. Em novembro de 1996 emprestou recursos para a troca da sede por outro imóvel maior, também na aldeota.
  7. Creci 16ª Região/SE - numa primeira fase, o Cofeci enviou recursos para a compra de sede atual, com aproximadamente 110 m² de área. No final de 1995 complementou a verba para a compra de um terreno contíguo, que permitirá uma futura ampliação.
  8. Creci 17ª Região/RN - sua sede foi adquirida em 1992, na gestão do presidente José Ramos dos Santos, com recursos repassados pelo Cofeci. O prédio, de esquina, tem 101 m², quatro salas e demais dependências.
  9. Creci 19ª Região/MT - o Cofeci auxiliou com um empréstimo desde a gestão do presidente Francisco D' Araújo Calháo, na compra do terreno. Na gestão do presidente Ruy Pinheiro de Araújo, contribuiu para a construção de uma moderna e bem localizada sede, com cerca de 320 m² de área, contendo auditório, sala de reuniões etc.
  10. Creci 20ª Região/MA - o presidente Douglas Pinho recebeu um empréstimo para reformar a sede, composta inicialmente por um prédio residencial modesto, mas bem localizado em São Luís.
  11. Creci 21ª Região/PB - na gestão do presidente Hermógenes Paulino do Bonfim foi repassado pelo Cofeci um empréstimo para a compra de atual sede, adquirida em 1995. Trata-se de uma ampla edificação, com 730 m² de área construída, estacionamento e 22 dependências internas.
  12. Creci 22ª Região/AL - o imóvel foi adquirido em 1996, na gestão do presidente Jorge Tavares Salgueiro, com auxílio financeiro do Cofeci. O prédio residencial localiza-se no bairro do Farol, região central, tem garagem e cerca de 220 m² de área construída.
  13. Creci 25ª Região/TO - 90% dos recursos foram emprestados pelo Cofeci para a compra do terreno e construção da sua sede. Com arquitetura moderna e 475 m² de área útil, distribuída em dois pavimentos, o prédio tem salas para os Corretores, um auditório com um moderno sistema de recepção de TV via antena parabólica e teleconferência, além de outras acomodações.

Com a construção da sede do Creci 23ª Região/Piauí, Waldyr Luciano concretizou um grande sonho de toda a categoria: todos os Crecis passaram a ter sede própria.

Estrutura de funcionamento

Além do auxílio para compra ou reforma destas sedes/terrenos, o Cofeci também incentivou a modernização de equipamentos (compra de microcomputadores) pelos Crecis, dando maior agilidade ao atendimento dos Corretores de Imóveis.

Outra importante atividade foi o investimento em fiscalização, revolucionando a atuação do Conselho Federal. Nessa área, além do investimento em carros, por meio de um convênio com o Creci 2ª Região/SP, realizou diversas diligências de treinamento nos Crecis.

Durante o ano de 1996 a diretoria de fiscalização do Cofeci, por intermédio da Equipe Nacional de Fiscalização, coordenada por Francisco Zagari Neto, promoveu uma intensa e pioneira ação fiscal em diversas regiões do Brasil. Seu objetivo foi padronizar o uso de formulários e procedimentos, trocar informações e aumentar a eficácia dos Crecis no combate aos falsos Corretores. No total foram visitados catorze Estados do Brasil. Em 206 dias úteis de trabalho e 183,5 mil quilômetros percorridos, foram lavrados 7568 autos de constatação, 545 autos de infração e 1690 notificações. Por onde passou, a equipe de fiscalização contou com o apoio das secretarias de Segurança Pública nos Estados.

O conhecimento e técnica desenvolvidos em São Paulo transformou em prática o ditado de que mais vale ensinar a pescar do que dar o peixe. Através do convênio assinado com o Creci de São Paulo, os fiscais mais experientes transmitiram em diversas regiões do Brasil sua maneira eficaz de fiscalização, afirma Luciano.

João Roberto Seabra Malta

Neto de um dos primeiros corretores da Paulicéia, João Roberto Seabra Malta ingressou nas atividades da categoria profissional em 1972. Dois anos depois foi eleito secretário-geral do Sindicato de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, sendo um dos responsáveis pela evolução econômica e política da categoria.

Ao contrário das lideranças da época, Malta entendeu que o permanente contato com a imprensa era extremamente importante, não se furtando, por isso, à participação de qualquer entrevista ou programas de rádio e televisão. Dessa forma, contrariou os mais conservadores, mas, por outro lado, obteve a divulgação, junto à opinião pública, dos angustiantes problemas do Corretor, do proprietário, do inquilino e do condomínio.

Na sua especialidade, administração predial, participou ativamente da elaboração de toda a tramitação que culminou, em 1979, na mais famosa Lei do Inquilinato (6.649). Outra atividade de destaque foram os programas internacionais de visitas, representando os Corretores brasileiros no Japão, em companhia de Luiz Alberto Caldas de Oliveira.

Voltado inteiramente para um sindicato forte e contando com o apoio dos antigos presidentes, Luiz Alberto Caldas de Oliveira e Gilberto Nascimento, abriu quase uma dezena de agências do sindicato em pontos estratégicos no Estado de São Paulo. Mais tarde, essas agências se fundiram com as delegacias do Creci, sendo a base de uma categoria integrada e unida.

Preocupado da mesma forma com a união, em termos nacionais, dirigiu, com rara felicidade, o 9º Congresso dos Corretores de Imóveis, do qual o presidente Ernesto Geisel promulgou a Lei nº 6.530/78, que ampara a categoria. Culto e voltado para o problema social, juntamente com Luiz Alberto Caldas de Oliveira e com o apoio das bases, preparou grande parte dos currículos para os cursos supletivos de Técnico em Transações Imobiliárias, com o que a profissão alcançou a maturidade.

Na primeira foto, Malta, ao centro, durante a solenidade presidida   pelo ministro Jair Soares.

Na primeira foto, Malta, ao centro, durante a solenidade presidida pelo ministro Jair Soares.

Da esq. para a dir.: Jair Soares ( Min. da Previdência), Rogério   Paiva, Malta e Arnaldo Prieto (Min. do Trabalho)

Da esq. para a dir.: Jair Soares ( Min. da Previdência), Rogério Paiva,Malta e Arnaldo Prieto (Min. do Trabalho)

Sua administração sempre esteve direcionada para todos estes problemas, tendo grande contato em Brasília com líderes de bancadas e autoridades. Entretanto, considerando incertezas, não hesitou, com o advento da Lei nº 6.530, em canalizar os fartos recursos, então angariados com a inscrição de milhares de Corretores, para dar à categoria uma sede à altura da sua grandeza.

Roberto Capuano

Primeiramente, Roberto Capuano foi bancário. Iniciou suas atividades no mercado imobiliário em 1964, quando a comissão era de 3%. Sua atuação foi caracterizada por um estilo organizado de trabalho, dividindo o cliente por tempo de dedicação/fechamento do negócio - em longo, médio e curto prazos. Graças a este sistema passou a ser chefe dos plantonistas da imobiliária onde trabalhava. Com esta nova profissão, passou a receber dez vezes mais que no banco. Entre as imobiliárias por onde passou, destacam-se as de Gilberto Nascimento e a de Olfal Ofasa (cujo gerente geral era Waldyr Luciano).

O sistema criado por Capuano, de organização do trabalho e divisão do tempo em função do fechamento do negócio, foi levado a todas as imobiliárias nas quais atuou. Fazia fichas com a autorização para comercialização dos imóveis. Nelas anexava o planejamento do trabalho, a avaliação do imóvel e a combinação, preço e condições de pagamento. Capuano também realizava um trabalho de relações-públicas com as construtoras (captação) antes mesmo da conclusão do prédio. Este sistema lhe rendeu uma grande carteira de imóveis. Com o estoque, preparava a venda com alternativa por grupos com faixas de preços.

Foi convidado para ser chefe de vendas na Ofasa, criando a estratégia de espírito de equipe. Fazia treinamento com técnica de vendas, apresentava várias alternativas para os clientes e fechava o negócio em duas salas separadas (em uma ficava o vendedor e na outra o comprador), para conseguir agilizar o processo e obter bons preços. Sua equipe foi campeã de vendas. Com o fechamento da Ofasa, foi para a Gilberto Nascimento Imóveis, onde era chefe de vendas e usava a mesma estratégia.

Montou sua própria empresa em 1973, introduzindo o conceito "O que importa é a empresa e não o Corretor". Conseguiu vender mais de 3 mil imóveis em treze anos de existência.

Iniciou sua participação no Creci a convite do presidente Waldyr Luciano. Em 1982 seu nome surgiu na composição da diretoria como tesoureiro. Em 1985 era candidato à presidência. Seu objetivo era o de promover a aproximação do Corretor com a comunidade, fomentar o financiamento ao consumidor (poupança vinculada), mudança na lei do inquilinato e na de loteamentos populares (crédito para baixa renda, criação da locação social) irrigando a base do mercado. Desde 1988 tem sido candidato à reeleição para a presidência, cargo que ocupa até os dias de hoje.

Roberto Capuano criou o projeto Creci 2000, um programa de modernização da forma de atuação dos profissionais que intermediam as operações com imóveis. Nessa linha, desenvolveu, em São Paulo, a primeira pesquisa nacional sobre a evolução dos preços dos imóveis usados, preparou projetos para a reformulação das legislações do inquilinato e do uso do solo, defendeu a concessão do financiamento pelo SFH diretamente ao comprador de imóveis, iniciou a informatização do processo de venda e lutou pela criação da caderneta de poupança vinculada a financiamentos habitacionais.

A reserva de mercado foi prejudicial ao público e ao Corretor, o imóvel subiu 500% em dólar, e o mercado sofreu uma redução. Hoje, o mercado pertence a uma elite, a população cresceu e o mercado diminuiu, e mais de 95% dos Corretores trabalham com imóveis usados. Com o culto ao proprietário, o Corretor virou secundário, afirma.

Observando este cenário, como presidente do Creci 2ª Região/SP, sua atuação teve os seguintes objetivos: criar identidade entre o corretor e a comunidade; aumentar o rigor na fiscalização para afastar e punir maus profissionais e mostrar a atuação do Creci em defesa dos interesses da comunidade; terminar com as divisões internas ou conflitos entre o SCIESP e o Creci/SP; introduzir o sistema da composição de times, aproveitando os melhores do time da chapa derrotada; resgatar a identidade do Corretor por meio da criação da Central Cooperativa de Vendas Imobiliárias, onde o respeito e valorização da profissão estão voltados para a competência (Opção de Venda) e informática.

Entre suas principais realizações frente à presidência do Creci, Capuano destacou a construção do edifício do Creci. "Recebi de Waldyr Luciano a compra do terreno. Fiz contrato de corporação, trocando o terreno por oitocentos metros de área construída (um terço do prédio). Neste edifício funciona a Central de Operações Imobiliá

 

Anterior | Próximo

Profissão valoriza-se com a nova lei

 

A Lei nº 6.530/78, assinada pelo presidente Geisel, regulamentou a profissão do Corretor de Imóveis e trouxe inúmeras vantagens para a classe. As pessoas que davam pouco valor a esta atividade passaram a conhecer melhor seus aspectos técnicos. A exigência de uma formação mínima para o exercício da profissão também contribuiu para que a mesma fosse reconhecida pela sociedade. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul já existiam cursos de formação profissional, e em Pernambuco entrariam em funcionamento a partir do segundo semestre de 1978.

Entretanto, um aspecto da nova lei chamou a atenção da liderança da categoria: o Decreto-lei nº 81.871, de 29 de junho de 1978, que regulamentou a Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, assinado pelo presidente da República, estabelecia que, além daqueles que possuíssem o título de Técnico em Transações Imobiliárias, poderiam exercer a profissão de Corretor de Imóveis os profissionais inscritos nos termos da Lei nº 4.116/62, desde que requerendo a revalidação da sua inscrição.

Em São Paulo, o Creci 2ª Região deu início a uma campanha, convidando todos os profissionais inscritos a se dirigirem ao conselho, ainda instalado na rua Xavier de Toledo, para que revalidassem a sua inscrição. "Nesta carta publicada nos jornais, retratava a entrada em vigor da Lei nº 6.530 a legalização da profissão, trazendo maior número de exigências para os Corretores que se registrassem depois da sua publicação. A carta foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo durante trinta dias. Mais de 5 mil inadimplentes legalizaram sua situação, outros 5 mil procuraram o Creci e mais de 15 mil processos ficaram pendentes. Na época o Creci conseguiu uma arrecadação extraordinária. Quando, no ano seguinte, Waldyr Luciano era o presidente do Creci 2ª Região/SP, os fundos possibilitaram a construção do Edifício do Corretor de Imóveis.

Fizemos o recadastramento de todos os Corretores, conta Antônio Benedito Gomes Carneiro, ex-presidente do Creci 2ª Região.

Houve uma verdadeira corrida para o registro profissional junto aos conselhos regionais de fiscalização da atividade, conta Waldyr Luciano, então tesoureiro do Creci SP. Logo após a publicação da nova lei, a entidade recebeu mais de setecentos pedidos de registro. Esses requerimentos foram anexados a outros 2300 que estavam em andamento.

As imobiliárias também se inscreveram em massa, pois os Corretores que não se legalizassem em tempo só poderiam constituir a sociedade de acordo com o que estava previsto na nova lei. O artigo 6º, parágrafo único, as pessoas jurídicas deveriam ter um Corretor de Imóveis como sócio, gerente ou diretor, individualmente inscrito.

Segundo Antônio Benedito Gomes Carneiro, presidente do Creci em 1978, em declaração dada ao jornal Gazeta Mercantil, em 18 de maio de 1978, "enquanto a lei não fosse regulamentada, o que seria feito em trinta dias, o Creci diminuiria a intensidade da fiscalização quanto ao cumprimento das novas exigências. Passando esse período, todos deveriam se adaptar, pois a fiscalização seria muito mais drástica", afirmou. Carneiro também disse que em novembro dobraria o número de fiscais.

A Compra do Edifício do Creci 2ª Região

Edifício do Corretor de Imóveis, na rua Pamplona 1200, sede da   categoria profissional paulista

Edifício do Corretor de Imóveis, na rua Pamplona 1200, sede da categoria profissional paulista

Esta é a trincheira que não se rendeu,
a que deu à terra o seu suor,
a que deu à terra o seu sangue!
Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que é a nossa bandeira gravada no chão
pelo branco do nosso ideal
pelo negro do nosso luto
pelo vermelho do nosso coração!
a que, atenta, nos vigia;
a que, invicta, nos defende,
a que, eterna, nos glorifica. Guilherme de Almeida
Oração ante a última trincheira

Os versos imortais de Guilherme de Almeida, em seu poema "Oração ante a última trincheira", foram as primeiras palavras do discurso de João Roberto Malta, presidente do SCIESP, na inauguração do Edifício do Corretor de Imóveis, na rua Pamplona 1200, sede da categoria profissional paulista.

Com o grande volume arrecadado com as inscrições em São Paulo, as diretorias do Creci e do SCIESP deram início à licitação de compra de uma nova sede. A antiga, situada à rua Xavier de Toledo, era pequena para o número de associados, inviabilizando o seu funcionamento. Além disso, o edifício funcionava em péssimas condições físicas e de segurança. Por ser muito velho, apresentava sinais de deterioração, com a infra-estrutura em precárias condições.

Em agosto de 1980, o assunto da nova sede foi alvo de intensos debates nas reuniões de diretoria do sindicato e do Creci, já que as duas entidades funcionavam no mesmo edifício. Em seu discurso de posse, realizado em 1º de julho de 1980, João Roberto Malta afirmou aos quase 1500 convidados e autoridades que a transferência da sede também devia-se às mudanças de hábito e da necessidade de localização de estabelecimentos comerciais, consultórios e escritórios em regiões mais distantes do centro antigo de São Paulo.

Todas essas necessidades não poderiam esperar pela construção de uma nova sede. Por isso partiu-se para a compra. Não faltaria, certamente, o empenho de Corretores de Imóveis de toda a cidade para a identificação do melhor negócio para a sua própria entidade.

Por intermédio de editais publicados no jornal O Estado de S. Paulo, a categoria participou ativamente da escolha de sua nova sede própria. "Diariamente chegavam ofertas de imóveis, minuciosamente analisadas pela diretoria, algumas fora da verba disponível, outros com problemas de localização, de construção inadequada ou inadaptável, alguns com pouca metragem e outros maiores que a necessidade ou capacidade financeira. Dentre as propostas, destacou-se a de um edifício situado à rua Pamplona, (Zona Sul de São Paulo, entre a avenida Nove de Julho e junto à avenida Paulista). Um prédio moderno, com nove andares, 4500 metros quadrados e dois subsolos de garagens, com 20 vagas para automóveis.

 Inauguração da nova sede: Luiz Alberto Caldas de Oliveira, José   Papa Jr., Murilo Macedo, João Roberto S. Malta, Lelis Vieira.

Inauguração da nova sede: Luiz Alberto Caldas de Oliveira, José Papa Jr., Murilo Macedo, João Roberto S. Malta, Lelis Vieira.

A aquisição da nova sede foi levada à plenária do Conselho Federal, juntamente com a avaliação realizada pela empresa Júlio Bogoricin Imóveis, vencedora da licitação e de um memorial descritivo do prédio, a ser adquirido em conjunto pelo Creci 2ª Região/SP e pelo SCIESP. O clima na plenária era de não-aprovação da intenção do Creci paulista. A exposição dos motivos e fundamentos foi feita pelo presidente do Creci na época, Waldyr Luciano, e foi determinante para reverter a tendência da rejeição do pleito pela compra da sede. Após os debates, foi posto em votação o pedido de autorização para a aquisição da nova sede. A plenária aprovou a compra, desde que a parte que seria financiada fosse totalmente paga até o fim do mandato de Waldyr Luciano.

O Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo aprovou a compra da nova sede, em parceria com o Creci, após a realização de uma assembléia, considerada como a mais extraordinária de toda a sua história, estando presentes todos os ex-presidentes ainda vivos na ocasião: Newton Bicudo, Gilberto Nascimento, Luiz Alberto Caldas de Oliveira, Elpidio Eugênio Mônaco, Waldyr Luciano, e dezenas de ex-diretores do sindicato e todo o conselho fiscal, sendo a assembléia presidida por Antônio Domene Sobrinho. Quase mil corretores filiados ao sindicato se acotovelaram no prédio da rua Xavier de Toledo, lotando o plenário e congestionando os corredores até a rua do velho prédio. Mais de 85% dos presentes aprovaram a compra da nova sede. A aquisição foi fruto de uma correta e inteligente aplicação de recursos, provenientes das inscrições dos profissionais e de financiamento da Caixa Econômica Federal.

Assinatura da compra da sede do Creci/SP; na foto Waldyr Luciano e   João Roberto Malta, abaixo, de pé, vários líderes de outros estados,   sentados, ao centro Waldyr Luciano, a sua dir.João R. Malta, a sua esq.   Aref Assreuy

Assinatura da compra da sede do Creci/SP; na foto Waldyr Luciano e João Roberto Malta, abaixo, de pé, vários líderes de outros estados, sentados, ao centro Waldyr Luciano, a sua dir.João R. Malta, a sua esq. Aref Assreuy

Assinatura da compra da sede do Creci/SP; na foto Waldyr Luciano e João Roberto Malta, abaixo, de pé, vários líderes de outros estados, sentados, ao centro Waldyr Luciano, a sua dir.João R. Malta, a sua esq. Aref Assreuy

A inauguração do Edifício do Corretor de Imóveis, no dia 18 de dezembro de 1981, teve ampla cobertura da imprensa, que deu especial destaque à grande quantidade de autoridades e convidados presentes, e que naturalmente retratou a empolgação de todos diante da nova sede. Diversas imobiliárias da cidade de São Paulo publicaram anúncios nos jornais saudando e destacando a importância do fato. Entre as autoridades, destacaram-se as presenças do ministro do Trabalho, Murillo Macedo, paraninfo da solenidade, do presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, José Papa Jr.,do presidente do Cofeci, Aref Assreuy, do patrono da classe e ex-ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, dos presidentes dos Crecis de outros Estados, presidentes dos sindicatos e associações de Corretores de Imóveis de todo o Brasil.

Novos Conselhos são fundados no Brasil

Logo após a regulamentação definitiva da profissão pela Lei nº 6.530/78, foram fundados outros conselhos regionais de Corretores de Imóveis. Alguns Estados contavam com sub-regiões, coordenados pelo Creci do Estado mais próximo.

Inauguração do Creci do Rio Grande do Norte (1981)

Inauguração do Creci do Rio Grande do Norte (1981)

No final da década de 70 e início da de 80 foram criadas as seguintes regiões:

  • Creci 14ª Região/MS, Creci 15ª Região/CE, Creci 16ª Região/SE, Creci 17ª Região/RN e Creci 18ª Região/AM - criados em 6 de novembro de 1978.
  • Creci 19ª Região/MT, Creci 20ª Região/MA, Creci 21ª Região/PB,Creci 22ª Região/AL - criados em 11 de março de 1979.
  • Creci 23ª região/PI - criado em 2 de maio de 1979.
  • Creci 24ª Região/RO - criado em 30 de março de 1984.
  • Creci 25ª Região/TO - criado em 1991 (Resolução nº 295/91).

Bastidores: a história da profissão no Estado do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

Em 20 de janeiro de 1963 um grupo de Corretores formado por Amaro de Castro Lima, Nelson Tavera, Francisco Espíndola Neto, Nagibio Ouvires, Equicio de Figueiredo e Ubirajara Roher fundou a Associação de Corretores de Imóveis do Mato Grosso. Ubirajara, sem dúvida, pode ser considerado um dos Corretores mais polêmicos. Ele conta: "Desde a fundação da associação e das demais entidades, nunca aceitei cargo na diretoria. Amaro assumiu a presidência. Pelo fato de ele ser simpatizante do PC do B, no período da ditadura militar a associação foi fechada. Anos depois, por iniciativa de outros Corretores, foi reativada".

Entre 1968 e 1970, ele foi convidado a assumir a diretoria da associação, sendo candidato da chapa única, vencedora. Nessa época, conseguiram a sua transformação em Sindicato de Corretores de Imóveis. "Minha principal batalha foi pela criação do Conselho Regional de Corretores de Imóveis no Estado. Desta forma, teríamos a profissão totalmente fiscalizada e regulamentada. O primeiro passo foi o registro do Estado como jurisdição do Creci 2ª Região/SP (presidência de Antônio Benedito Gomes Carneiro). Para tanto, era necessário um representante de Campo Grande na diretoria do Creci/SP. Naquela época, conseguimos com que quarenta profissionais se filiassem, sendo que havia outros mil por registrar", explica.

Um convite para que Ubirajara participasse de uma reunião do Cofeci, pelo Creci/SP, foi fundamental para que desse início a uma campanha que resultou na criação dos doze conselhos regionais de Corretores de Imóveis, a partir de 1978. Na ocasião fez contato com as principais lideranças do país, entre elas, o presidente do Creci 7ª Região/PE, Mariano Carneiro. Na época, Pernambuco era o único regional do Nordeste, e todos os demais Estados eram delegacias. Desta forma, Mariano tinha grande influência política.

Em seguida, fui indicado representante do Mato Grosso na eleição do Creci/SP, passando a fazer parte do grupo que batalhou pela aprovação da Lei nº 6.530/78. Fiz contato com o ministro Arnaldo Prieto, de quem já era amigo pessoal. Na reunião ele me reconheceu, e passei a ser conhecido pelos demais líderes como o "amigo" do ministro. Mesmo assim, no dia da eleição, Luiz Alberto Caldas de Oliveira, então presidente do Sindicato, vetou o meu nome, dizendo que não era associado. Este fator não poderia ser impeditivo, já que era credenciado ao Creci, e candidato nessa entidade". Entrei com um mandato na justiça, impedindo a continuidade da eleição.Rubens Coelho, com toda a diplomacia que lhe era peculiar, me convidou para um almoço com o Luiz Alberto Caldas de Oliveira. Pediu-me, pelo bem da classe, que cancelasse o mandato com o compromisso de ajudar a aprovação da criação do Creci em Mato Grosso do Sul (14ª Região), após as eleições, diz Ubirajara.

Desta forma, ele não recorreu, garantindo a eleição. Graças a este fato, não só o Estado de Mato Grosso do Sul teve seu Conselho Regional de Corretores de Imóveis criado, como também outros onze Estados brasileiros. "Edmundo Carlos Freitas Xavier, presidente do Cofeci, fez inúmeras reuniões plenárias, até que os Crecis fossem criados. Fui até São Paulo, defender a criação do Creci 14ª Região, com a aprovação do Creci/SP. Nesse processo, destacou-se a participação de Antônio Benedito Gomes Carneiro, presidente da 2ª Região na época, João Martinho Creto Reis, vice-presidente do Cofeci, Walter Ahrens, presidente do Creci 2ª Região/SP antes de Antônio B. G. Carneiro", confirma.

O Creci 14ª Região tinha 51 Corretores inscritos. Era necessário mais um para compor a diretoria. Havia um profissional do Rio Grande do Sul que estava se mudando para lá. Como o presidente do Cofeci estava presente, despachou sua transferência na mesma hora, viabilizando a eleição da chapa. Ubirajara Roher foi o primeiro presidente do Creci 14ª Região. "No mesmo ano, conseguimos o credenciamento de um grande número de Corretores. Recebemos uma visita da auditoria contábil do Cofeci e de uma previsão inicial de déficit, fechamos o primeiro ano de mandato com um superavit", finaliza. Ubirajara foi conselheiro federal por nove anos, foi diretor para assuntos legislativos e vice-presidente do Cofeci, presidente do Creci em três gestões, sendo substituído por Manoel Carlos Lemos. Recebeu o título "Colibri de Prata".

Criação do sindicato

A carta sindical foi entregue aos Corretores do Estado (MS) no dia 7 de junho de 1979, pelo ministro Arnaldo Prieto. "Entre os Corretores da diretoria estava Júlio Campos, que se tornou senador do Estado do Mato Grosso. Arnaldo Prieto fez questão de entregar pessoalmente a carta sindical no Estado, entre dezenas que seriam entregues para outras categorias. Este foi o único Creci que não surgiu de um sindicato. Após a criação do Creci, a associação tornou-se Sindicato de Corretores de Imóveis do Mato Grosso do Sul. Na solenidade, também estava presente o presidente da República, Ernesto Geisel.

Ubirajara Roher o primeiro presidente do Sindicato, antes disto, trabalhou para a aquisição da primeira sede do Creci. Mais tarde, o presidente do Cofeci, Waldyr Luciano o nomeou presidente interventor do Creci/MS, em seguida, decidiu abandonar a liderança do setor, passando a se dedicar como empresário do segmento imobiliário.

Carlos Roberto "Charles" F. Gonçalves

Nos anos 70 Carlos Roberto Figueiredo Gonçalves era professor dos dois mais importantes cursos preparatórios para o vestibular em São Paulo: o Anglo e o Objetivo. O estudante de medicina abandonou a faculdade para lecionar química, até que foi convidado para coordenar a disciplina em um novo colégio do Anglo em Campo Grande (MS). Apaixonou-se por uma aluna, filha de um importante Corretor de Imóveis da Região, o comendador Júlio Martins Ribeiro (fundador de Chapadão do Sul). Casaram-se.

Charles, apelido que ganhou de seus alunos, continuou a lecionar em diversas cidades do interior de São Paulo, até que foi convidado pelo sogro a ingressar no mercado imobiliário. Estudou, conheceu melhor a profissão, fez o curso de Técnico em Transações Imobiliárias e pouco antes de a Lei nº 6.530 ser aprovada, credenciou-se no Creci. Em 1981 já administrava seu próprio negócio, a "Charles Empreendimentos Imobiliários". Restou-lhe, dos tempos de professor, o apelido, que foi incorporado ao seu nome de batismo e ao da sua empresa.

Entretanto, o dinamismo do professor não deixou de estar presente na sua nova atividade. Charles planejou-se para em dez anos dirigir a mais importante imobiliária do Estado, especializada em imóveis rurais. Paralelamente, iniciou suas atividades de representação da categoria, foi presidente do Creci, do sindicato e do Secovi em Campo Grande. Em todas elas, construiu sedes magníficas, dando um novo impulso à profissão.

No dia 26 de julho de 1996 inaugurou a sede do Creci/MS, considerada a mais bonita do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Brasil. Além da diretoria do Cofeci, compareceram os ministros Paulo Renato (Educação) e Almir Pazzianoto (Trabalho), além de personalidades como Carlos Alberto Chiarelli e Arnaldo Prieto (ex-ministros do Trabalho). A nova sede tem quatro pavimentos, garagem, terraço, espaço para recreação e um auditório. Toda a área foi disponibilizada para o atendimento das necessidades dos Corretores de Imóveis do Estado do Mato Grosso do Sul.

Presidentes do Cofeci nas décadas de 70, 80 e 90:

  • 1978-85 - Aref Assreuy
  • 1985-88 - Aref Assreuy (Waldyr Francisco Luciano)
  • 1988-97 - Waldyr Francisco Luciano
  • 1997-2000 - Waldyr Francisco Luciano

Álbum de Rio Preto/1981. Foto de Aref, então presidente do Cofeci

Álbum de Rio Preto/1981. Foto de Aref, então presidente do Cofeci

 

Anterior | Próximo

rodape